29.5.09

Tá, confesso.
Tenho uma preguiça tremenda de ler sobre quadrinhos.
Mas, depois de tropeçar na notícia de que haverá uma Luluzinha teen, bom, fui conferir no Blog dos Quadrinhos.
Gostei muito!
E, pra fechar a semana com chave de ouro, que tal "O Guarani" (um dos meus favoritos)em quadrinhos?
Acho foda essa iniciativa de tentar trazer os CLÁSSICOS pra perto da garotada.
Lindona essa capa.



VLP.

26.5.09

Dica de Blogs e Sites.

Que tal perder umas horinhas lendo coisas interessantes sobre coisas interessantes?
Passa lá: Cristina Lasaitis.
Muitas dicas bacanas sobre cinema, literatura, resenhas do que a Cris (sim, ela é minha amiga!) anda lendo, e links para outros pontos dessa rede internética mundial de meudeus.
Mais um lugarzinho onde me sinto absolutamente confortável: Camila Fernandes (Escritora).
Contos, resenhas, referências.
Só coisa boa.
E sim, a Cam também é minha amiga.
E, finalizando este postzinho de nada, mais um:
Eric Novello.
Rapaz amável.
Não se engane.
Por baixo daquele rostinho lindo e daquele sorriso tímido vive um escritor de punho forte, imaginação agressiva e muita, mas muita história pra contar.
É crítico sim, mas inteligente (seria isso um paradigma???).
Sempre online entre o Fantastik e o Aguarrás, que, segundo os responsáveis, é um periódico científico online sobre artes.
E só pra comunicar, o Eric também é meu amigo!
Depois caço mais algumas coisas legais pra postar aqui.

Sodomia e Feitiçaria

Visitando um site que eu gosto muito, o Morte Súbita, tropecei num artigo interessantíssimo sobre magia sexual gay, mais especificamente, gay masculino.
Phil Hine fala sobre as sensações de ser penetrado por seu amante, e da plenitude e profundidade das emoções que essa "posse" provoca.
Vale a pena dar uma conferida.
VLP.

25.5.09


Vamos lá!
Preguiça...
Preguiça de cuidar de dois bloguitos.
Então, vamos voltar ao que era antes: um só.
Assim, me animo mais.
Cuido mais dos meus asuntos, e tenho mais vontade de caçar coisas interessantes.
Vou transferir pra cá os posts lá do Estilhaços de Alma.
Adeus e obrigado pelos peixes!

NÃO ENTRE EM PÂNICO!


Dia do Orgulho Nerd.
Dia da Toalha.
Dia do lançamento de Star Wars (Episódio 3???).
Bom, eu como boa trekker que sou, que já tive os meus delírios de me tornar um jedi, e sou fão de carteirinha do Guia do Mochileiro das Galáxias, acredito que posso comemorar o dia de hoje.
Tenho a Enterprise NCC 1701-A como papel de parede no meu pobre e velho pc de trabalho.
Tenho A Marcha Imperial como toque no meu celular.
E trago sempre uma toalha na bolsa (ela já me salvou de alguns apuros)!
Post bem legal no Jovem Nerd.

Que a Força nos Esteja sempre Conosco, e nos Proporcione uma Vida Longa e Próspera.

21.5.09

Paradigmas 2


Paty, Gian, Lu, eu e Eric.

O lançamento do Paradigmas 2 foi outro grande sucesso.
Muita gente bacana, muito bate-papo e muito chopp.
O Bardo Batata ficou pequeno!
Aí estão os responsáveis por esse grande barato.

Gianpaolo Celli e Richard Diegues



A cabeça do Alê, Gian, Richard e Camila

6.4.09

Paradigmas

Dizer o quê?
O lançamento foi um sucesso total!
Tinha tanta gente, que nós, os colaboradores, mal conseguíamos autografar e conseguir autógrafos uns dos outros!
Só tenho que agradecer ao Richard Diegues, meu anigo querido e doido o suficiente para me enfiar num projeto desses, e ao pessoal todo, inclusive aos amigos novos que fiz, e um beijo especial aos amigos de sempre (Li, te amo!!!).
O Paradigmas II já está no forno, e estamos no aguardo.
Não faço parte dessa segunda parte, mas quem sabe, da terceira???
rs
Vida longa e própera.

22.7.08

" O chão é a cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre o tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama
E para repousar do amor, vamos a cama."

Carlos Drummond de Andrade

2.7.08

Quando desejos outros é que falam

Quando desejos outros é que falam
e o rigor do apetite mais se aguça,
despetalam-se as pétalas do ânus
à lenta introdução do membro longo.
Ele avança, recua, e a via estreita
vai transformando em dúlcida passagem.

Mulher, dupla mulher, há no teu âmago
ocultas melodias ovidianas.

Carlos Drummond de Andrade

16.5.08

Saudade


Ah, sim!
A pústula!
Nojenta, cheia de pus esverdeado e mau-cheiro.
Uma coisa horrível de se ver.
Uma cicatriz mal costurada que, ao menor movimento, cospe podridão.
É assim que te vejo hoje.
E percebo como é pervertido o prazer de lamber essa ferida, travestida de amor.
As formigas já invadindo nossa cama, e as moscas, ah, as moscas! tão fiéis aos cadáveres em decomposição, fazendo sinfonias ao nosso redor.
Larvas gordas e brilhantes nadando no nosso suor azedo.
Baratas cascudas limpando os cantos das nossas bocas babosas, restos de vinho e beijo.
Restos de restos.
Fios de cabelos nas fronhas imundas, cheias de manchas mitológicas.
Olho em volta e vejo a degradação: paredes descascadas e mofadas, tapetes rotos, um prato com restos de refeições debutantes.
Insetos e você.
Aranhas se fartando...
"Who wants to live forever?
Who dares to love forever?
When love must die?"*
Não quero ser enterrado vivo num túmulo que nem é meu.
Nessa lápide, meu nome não está escrito, e as datas não correspondem ao meu mapa astral (que eu nunca fiz).
O som oco dos seus ossos descalcificados, o rangido das suas articulações!
E os livros desfolhados, jogados sobra a nossa cama, uma colcha de núpcias.
E as folhas secas das árvores do cemitério, que é nosso vizinho mais querido, invadem nosso universo de gemidos e gritos agonizantes e revirar de olhos e arrastar de correntes.
Beijo pois, pela última vez, essa boca desdentada.
E sinto, pela última vez, esse hálito morto invadir meus pulmões.

Roberta Nunes
10/05/2008

* "Quem quer viver para sempre?
Quem ousa amar para sempre?
Quando o amor dever morrer?"
Who wants to live forever - Queen

RECOLHIMENTO
Charles Baudelaire

Sê sábia, ó minha Dor, e queda-te mais quieta.
Reclamavas a Tarde; eis que ela vem descendo:
sobre a cidade um véu de sombras se projeta,
a alguns trazendo a angústia, a paz a outros trazendo.

Enquanto dos mortais a multidão abjeta,
sob o flagelo do Prazer, algoz horrendo,
remorsos colhe à festa e sôfrega se inquieta,
dá-me, ó Dor, tua mão; vem por aqui, correndo deles.

Vem ver curvarem-se os Anos passados
nas varandas do céu, em trajes antiquados;
surgir das águas a Saudade sorridente;
O Sol que numa arcada agoniza e se aninha,
e, qual longo sudário a arrastar-se no Oriente,
ouve, querida, a doce Noite que caminha.

15.5.08

em algum dia de maio

A espada jazia na lama.
A lâmina, outrora reluzente, estava negra de sangue seco.
Nem a chuva incessante dissolvia aquela bainha funesta.
Logo, a própria lama, onde repousava, displicente, a cobriu.
E nem o som das grossas gotas batendo no metal era mais ouvido.
E os corvos e abutres fugiam, assustados com aquela tempestade tão incomum.
Mais parecia um lamento dos céus, derramado pelos valorosos que tombaram naquele dia.
Mas, aquele não seria o último dia daquela lâmina.
Ela não seria maculada pelo tempo, seu fio permaneceria mortal, e a oxidação não mancharia seu aço.
Ela adormeceria, até que mãos poderosas, destemidas e valentes a tomariam para si, tal qual um marido toma sua noiva virgem na noite de núpcias, primeiro com cuidado, depois com paixão. E ela se entregaria a ele tal qual uma noiva virgem, primeiro com medo e receio, depois com volúpia e alegria.
E seriam um só nesse momento, uma só alma pulsando, pensando juntos, um sendo parte do outro, até não restar uma só cabeça sobre os ombros dos inimigos.
A espada saberia esperar.
Sempre fora paciente.
Ela era eterna, como as pedras que lhe enfeitavam o punho.
O tempo dos homens não era nada para ela.
Dormiria, sonharia e seria recompensada.
Seu senhor estava vindo.

E nunca mais sentiria a dormência que as águas gélidas do lago provocava.

Roberta Nunes
em algum dia de maio de 2008


Mordred´s Song - Blind Guardian

“Nothing else,

but laughter is around me
forever
more
no
one can heal me
nothing can save me
no
one can heal me
I've gone beyond the truth
it's just another lie
wash away the blood on my hands
my father's bloodin agony we're unified”



“Nada mais

Senão risadas me cercam
Para sempre
Ninguém pode me curar
Nada pode me salvar
Ninguém pode me curar
Eu fui além da verdade
É só mais uma mentira
Lavo o sangue das minhas mãos
O sangue de meu pai
Na agonia nós estamos unificados”
...

23.4.08

Oração a São Jorge


"Eu andarei vestido e armado
com as armas de São Jorge
para que meus inimigos,
tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me vejam,
e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,
cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça,
Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino,
protegendo-me em todas as minhas dores e aflições,
e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder,
seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,
defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
e que debaixo das patas de seu fiel ginete,
meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós."

27.3.08

Ode à Aphrodite

"Aphrodite em trono de cores e brilhos,
Imortal filho de Zeus, urdidora de tramas!,
Eu te imploro: a dores e mágoas não dobres,
Soberana, o meu coração,

Mas vem até mim, se jamais no passado,
Ouviste ao longe meu grito, e atendeste,
E o palácio do pai deixando,
Áureo, tu vieste,

No carro atrelado: conduziam-te, rápidos,
Lindos pardais sobre a terra sombria,
Lado a lado num bater de asas, do céu,
através dos ares,

E pronto chegaram; e tu, Bem aventurada,
Com um sorriso no teu rosto imortal,
perguntaste por que de novo eu sofria,
E por que de novo eu suplicava,

E o que para mim eu mais quero,
No coração delirante.
Quem de novo, a Persuasiva
Deve convencer para o teu amor? Quem,
Ó Psappha, te contraria?

Pois, ela, que foge, em breve te seguirá;
Ela que os recusa, presentes vai fazer;
Ela que não te ama, vai te amar em breve,
Ainda que não querendo

Vem, outra vez – agora! Livra-me
Desta angústia e alcança para mim,
Tu mesma, o que o coração mais deseja:
Sê minha Ajudante - em - Combates!


Safo de Lesbos

À Morte


Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!

Florbela Espanca

(1894-1930)

Nota: Último poema escrito por Florbela Espanca, no dia 8 de dezembro de 1930, na sua última noite com vida.
Foi levada pelo suicídio.

3.3.08

"Vou deixar-te levar-me até à fecundidade da destruição.
Por isso me atribuo um corpo, um rosto e uma voz.
Eu sou-te como tu me és.
Cala o fluxo sensacional do teu corpo
e encontrarás em mim,intactos,
os teus medos e as tuas penas.
Descobrirás o amor separado das paixões e eu descobrirei as paixões privadas de amor.
Sai do papel que te atribui se descansa no centro dos teus verdadeiros desejos.
Por um momento deixa as tuas explosões de violência.
Renuncia à tensão furiosa e indomável.
Eu passarei a assumi-las."

Anaïs Nin - A Casa Do Incesto

13.2.08

A Semente

A náusea vinha em ondas, e o esforço para segurar o vômito era enorme.
Sentia-se esgotado.
Estava molhado, cansado, com o corpo todo dolorido, a garganta inchada, a cabeça pesando uma tonelada.
Achou que seria melhor vomitar logo de uma vez, e se livrar daquilo.
Mas, afinal, ele prometera se segurar.
Sabia que, se expelisse o que tinha dentro de si, bem, nada de bom poderia acontecer.
A travessia foi difícil, o mar estava agitado, as algas anormalmente desenvolvidas devido à poluição, atrapalhavam a viagem, e as águas-vivas estavam terrivelmente agressivas, e agiam como se não reconhecessem o seu toque.
A viagem foi estranha, mas, no íntimo, ele sabia que nada poderia estar normal àquela altura do campeonato.
Segurou mais uma vez o regurgito e se pôs de pé.
Era um homem, dois braços e duas pernas, olhos escuros, com roupas encharcadas, cabelos escorridos, molhado de mar, que havia atravessado todo o Oceano Atlântico, à nado, para chegar em algum lugar no Brasil.
Bizarro, não?
Mais bizarra ainda foi a paisagem!
Praia Grande, São Paulo.
Em pleno mês de fevereiro, verão, alta-temporada e... deserta!
Como o resto das praias do estado, do país, do mundo.
Ninguém à vista, e nem fora da vista.
Estava deserto.
Morto.
Estagnado.
Se decompondo, lentamente.
O silêncio esmagador!
O mais estranho de tudo era que o que estava no seu estômago, e que precisava ser vomitado,
salvaria um mundo inteiro!
Ele trazia A Semente.
E só Deus saberia o que poderia nascer daquilo...

Roberta Nunes
13/02/2008
o que será de mim,
sem você?