Tapetes da vida.
Hoje, acho que fui cruel.
Direta demais.
Incisiva demais.
Ele disse adeus.
Eu disse foda-se.
Leva a porra do tapete com você.
Não tomo vinho, a garrafa virou caco na calçada do vizinho.
Prefiro conhaque. Gosto pior, ressaca pesada. Desperta os sentidos.
Acorda pra vida, cacete!
Limpar o sangue desse maldio tapete...
E as marcas do colchão.
Seu cheiro carunchado.
Pelos grudados no sabonete.
Camisetas de rock, panos de chão.
Último volume, Siouxie, baby...
Garrote na garganta, e chuveiro pingando.
Mãe, de onde vem o trovão?
Mãe, porque o sangue é vermelho?
Seja luar, meu amor.
Espalhe-se pela noite.
Escorra pelo ralo da banheira, e corra pelas sarjetas.
Roberta Nunes
01/06/2005
"Quem sabe depois desta existência
Renascerei - para duvidar ainda?!... "
( O devanear de um cético - Bernardo de Guimarães )
Um espaço meu. Pra quem quiser ler, claro. Se você não quer ler, tá fazendo o quê aqui? Só lembrando que, quando as idéias e impressões não forem minhas, darei nomes aos bois, ou seja, créditos aos autores.
31.8.07
19.7.07
29.6.07
Citações
"O unico erro de Deus foi nãoo ter dado duas vidas ao homem: uma para ensaiar, outra para atuar" (Vittorio Gassman)
"A verdade é sempre o álibi perfeito" (W. R. Burnett)
"Tudo que não é proibido e obrigatório" (Curzio Malaparte)
"Todo homem tem o sagrado direito de ser imbecil por conta própria" (Ivan Lessa)
"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la" (Carlos Drummond de Andrade)
Aí estão algumas citações ótimas, verdadeiras pérolas.
"A verdade é sempre o álibi perfeito" (W. R. Burnett)
"Tudo que não é proibido e obrigatório" (Curzio Malaparte)
"Todo homem tem o sagrado direito de ser imbecil por conta própria" (Ivan Lessa)
"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la" (Carlos Drummond de Andrade)
Aí estão algumas citações ótimas, verdadeiras pérolas.
27.6.07
A morte como sobremesa
Uma forma de mostrar amor, é morrer.
Eu acredito.
Mas morrer de um jeito bem bacana e romântico, como caminhar de encontro a uma lua cheia enorme e amarela, refletida num mar calmo e límpido.
Ou ainda num barato daqueles, numa viagem de drogas e bebida e troca de carícias e loucura sexual, numa orgia, línguas e mãos e secreções pra todo lado.
Na verdade, qualquer modalidade de morte serve, desde que tenha aquele toque teatral e exibicionista, uma carta explicando direitinho as coisas e se despedindo, uma rosa vermelha e umas gotas de cera de vela pra completar o drama.
Eu ainda não atingi esse nível de sensibilidade.
Claro que às vezes faço uma roleta-russa na rua, atravesso sem olhar só pra ver o que acontece, mas nunca me aconteceu nada.
A minha visão romântica da vida se limita a chamar essa porra de privada coletiva em que vivemos de “latrina”, e os montes de merda que bóiam nela de “dejetos”.
Espero ter estômago para, um dia, ter uma vida de comercial de margarina.
Acho que é isso que esperam de mim, expectativas de vida comuns, iguais aos outros.
Pontos de vista do que é melhor, maior e mais bonito.
Caralho, como isso cansa!
Acredito que é lícito (ops, outra palavra bonita...) desejar um belo porre, e encarar bravamente a ressaca que vem no dia seguinte.
Quem sabe, depois de uma noite de amnésia, eu não dê a luz a um avatar?
Quem sabe a morte me sorria, e me mande continuar andando, já que lá na frente, eu vou topar com ela de novo?
Ninguém está isento da solidão.
Ela é como a sombra nos dias ensolarados na praia.
Uma chama azul, gélida, daquelas que queimam efetivamente.
E transformam os sonhos em espectros, fantasmas que assombram os armários vazios de casas vazias.
E a morte romântica não basta para aliviar o amargor do xarope pra tosse.
E a vida cotidiana teima em tirar da ordem as rimas da poesia escrita com tanto sangue.
Me liga, amor, e vou pra junto de você, nem que seja por poucas horas.
.
.
.
.
um certo homem interessante, com o olhar direto e moreno, sorriso assim, meio de lado, uma seriedade de Tuareg e andar de Dom Juan.
porte ilegal de pecado.
pudesse, me afogaria nessa tua boca salgada, pararia o trânsito, e que se danassem as buzinas invejosas do beijo enlouquecido, a língua dardejando, num ritmo de tambores e corpos, braços e força.
noite de lua crescente.
seus pelos suados, enroscados nos meus, um mar de suspiros e mordidas.
noite quente de inverno.
um sussurro numa língua estrangeira, ah, o gemido numa linguagem universal.
quero seus dentes.
coxas, seios, nádegas.
o espelho reflete seu olhar faminto e curioso.
.
.
.
.
Roberta Nunes
27/06/2007
Eu acredito.
Mas morrer de um jeito bem bacana e romântico, como caminhar de encontro a uma lua cheia enorme e amarela, refletida num mar calmo e límpido.
Ou ainda num barato daqueles, numa viagem de drogas e bebida e troca de carícias e loucura sexual, numa orgia, línguas e mãos e secreções pra todo lado.
Na verdade, qualquer modalidade de morte serve, desde que tenha aquele toque teatral e exibicionista, uma carta explicando direitinho as coisas e se despedindo, uma rosa vermelha e umas gotas de cera de vela pra completar o drama.
Eu ainda não atingi esse nível de sensibilidade.
Claro que às vezes faço uma roleta-russa na rua, atravesso sem olhar só pra ver o que acontece, mas nunca me aconteceu nada.
A minha visão romântica da vida se limita a chamar essa porra de privada coletiva em que vivemos de “latrina”, e os montes de merda que bóiam nela de “dejetos”.
Espero ter estômago para, um dia, ter uma vida de comercial de margarina.
Acho que é isso que esperam de mim, expectativas de vida comuns, iguais aos outros.
Pontos de vista do que é melhor, maior e mais bonito.
Caralho, como isso cansa!
Acredito que é lícito (ops, outra palavra bonita...) desejar um belo porre, e encarar bravamente a ressaca que vem no dia seguinte.
Quem sabe, depois de uma noite de amnésia, eu não dê a luz a um avatar?
Quem sabe a morte me sorria, e me mande continuar andando, já que lá na frente, eu vou topar com ela de novo?
Ninguém está isento da solidão.
Ela é como a sombra nos dias ensolarados na praia.
Uma chama azul, gélida, daquelas que queimam efetivamente.
E transformam os sonhos em espectros, fantasmas que assombram os armários vazios de casas vazias.
E a morte romântica não basta para aliviar o amargor do xarope pra tosse.
E a vida cotidiana teima em tirar da ordem as rimas da poesia escrita com tanto sangue.
Me liga, amor, e vou pra junto de você, nem que seja por poucas horas.
.
.
.
.
um certo homem interessante, com o olhar direto e moreno, sorriso assim, meio de lado, uma seriedade de Tuareg e andar de Dom Juan.
porte ilegal de pecado.
pudesse, me afogaria nessa tua boca salgada, pararia o trânsito, e que se danassem as buzinas invejosas do beijo enlouquecido, a língua dardejando, num ritmo de tambores e corpos, braços e força.
noite de lua crescente.
seus pelos suados, enroscados nos meus, um mar de suspiros e mordidas.
noite quente de inverno.
um sussurro numa língua estrangeira, ah, o gemido numa linguagem universal.
quero seus dentes.
coxas, seios, nádegas.
o espelho reflete seu olhar faminto e curioso.
.
.
.
.
Roberta Nunes
27/06/2007
21.6.07
E o tempo passa

A terrível sensação de tempo desperdiçado.
Meu amor me beija.
Meu amor me beija.
Com vontade.
Com amor.
E eu sei que ele está comigo.
Quando?
O amargor da insatisfação.
Não sou eu!
E o gemido ficou entalado,
O amargor da insatisfação.
Não sou eu!
E o gemido ficou entalado,
o gemido de dor e separação.
O punhal erguido,
O punhal erguido,
e as costas sempre disponíveis,
braços abertos.
A boca sempre pronta para o beijo,
A boca sempre pronta para o beijo,
para o esporro,
para o grito.
O gosto do gozo e do fel.
Uma viúva-negra no travesseiro.
Um pêlo no sabonete, que vou guardar pra fazer mandinga, quem sabe...
Café da manhã com você,
O gosto do gozo e do fel.
Uma viúva-negra no travesseiro.
Um pêlo no sabonete, que vou guardar pra fazer mandinga, quem sabe...
Café da manhã com você,
geléia
e manteiga (que você queria usar pra fazer sacanagem).
Claro que eu te amo.
Claro que eu não vou tatuar seu nome.
Claro que você me ama, e tudo continua igual.
Vou tomar meu porre,
Claro que eu te amo.
Claro que eu não vou tatuar seu nome.
Claro que você me ama, e tudo continua igual.
Vou tomar meu porre,
e te afogar numa dose dupla de vodka.
É isso que eu chamo de amor.
Pra sempre.
É tempo demais, baby.
Não tenha dó de mim.
Quando eu disser que dói, mete o punhal até o cabo.
A melhor maneira de dizer.
Um cansaço.
Cada vez como se fosse a última.
Sem boleros, nem franjas.
Uma dor tão aguda.
Sobrevivência.
É isso que eu chamo de amor.
Pra sempre.
É tempo demais, baby.
Não tenha dó de mim.
Quando eu disser que dói, mete o punhal até o cabo.
A melhor maneira de dizer.
Um cansaço.
Cada vez como se fosse a última.
Sem boleros, nem franjas.
Uma dor tão aguda.
Sobrevivência.
I will survive
hey, hey.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe...
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante a vida!"
Manual de Sobrevivência - Willian Shakespeare
imagem do filme "Transpoitting"
14.6.07
Way

tenho, pra sempre, eu acho, o gosto de uma leve insatisfação na boca.
um resquício de beijo que ficou, e que nenhum outro se compara.
o fato é que não consigo lembrar.
one, quando, como.
se foi nessa, ou em outra vida.
uma busca coonstante me leva sempre a todos os lugares, e bocas.
testo os sabores, misturo com os aromas.
os cheiros de vida e sacrifícios e experiências.
os cheiros e gostos que o amor pode trazer.
despertar os sentidos, trazer à tona os sonhos mais estranhos.
não poderia deixar de ser.
essa busca é o que move a humanidade, eu acho.
e, claro, eu não pderia escapara dela.
tenho paixão.
e tenho medo de provar minha capacidade de amar.
e tenho sempre que mostrar que isso não é da minha natureza.
hoje o dia vai ser longo, e a noite me espera com mais uma bebida e estrelas.
e, quem sabe, um beijo furtivo no canto da boca de alguém, só esperando pelo meu chamado.
e a poesia não tem sido satisfatória, sempre parecendo incompleta e cansativa.
o trânsito segue, indiferente e o ruído, incessante.
procuro pelo beijo.
pela boca.
pelo copo.
uma taça, talvez, um belo cálice de prata.
um devaneio insano.
comum da minha natureza.
e o sorriso vem, com olhos cobertos, enrolado num cachecol roxo, nesses dias malucos de outono.
Os mastins negros vão ladrando a lua...
O Cairo é de uma formosura arcaica.
No ângulo mais recôndito da rua
Passa cantando uma mulher hebraica.
O Egito é sempre assim quando anoitece!
Às vezes, das pirâmides o quedo
E atro perfil, exposto ao luar, parece
Uma sombria interjeição de medo!
Augusto dos Anjos
4.6.07
já que não dá pra parar...
eu volto.
e não ligo se você vai ler.
ou se vai comentar.
sempre digo isso.
e é o suficiente pra me convencer.
outra hora coloco uma imagem bacana.
e rio do frio que a saudade crava sem dó no meu coração relativamente são.
.
.
.
e não ligo se você vai ler.
ou se vai comentar.
sempre digo isso.
e é o suficiente pra me convencer.
outra hora coloco uma imagem bacana.
e rio do frio que a saudade crava sem dó no meu coração relativamente são.
.
.
.
8.2.07
As pedras no caminho

Caminhar é fácil.
Um pé, depois outro.
Passo por passo.
Um de cada vez.
Tenho me rasgado.
Cortado a pele com lâminas finíssimas, exigentes.
Tenho sufocado meu gemido com mais força.
Tenho abafado meu grito com mais sadismo.
Cutelos enfeitam as paredes da minha mente.
Sombras estranhas nos vãos das portas...
A chuva cai fininha, molhando os cabelos, escorrendo pelo couro da jaqueta, tornando o peso do mundo ainda maior.
As botas enlameadas, e as folhas encharcadas grudando em tudo.
O gosto da chuva é ácido, acre, doce.
Os cheiros da rua me trazem você, graxa, fumaça, asfalto, pneus.
Não vejo a hora do inverno chegar, com dias claros e noites congelantes, tirar meu cachecol roxo do armário, e caminhar como se fosse a coisa mais correta a fazer.
Hoje é um dia qualquer, e você não vai estar no bar à noite, e vou ler o seu nome rabiscado na mesa, e a cerveja será como um alento, uma carícia, um sopro, pra me lembrar sempre do seu hálito durante as sessões de amor urgente e enlouquecido.
Assuntos inacabados, conversas descabidas, falo sobre generalidades, quando queria falar de amor.
A língua passeia pelos lábios arroxeados , beijados e mordidos pela boca quente de outro.
Afogo você em cada copo.
Te sangro em cada suspiro.
Exorciso o mal que brota em mim quando ouço seu nome.
Vou pro inferno?
Talvez.
Roberta Nunes
08/02/2007
Silent
Paradise Lost
After all wars
We lie, as shelter falls
The world is but hell
A place darkened out by time
Submit to the fall
Live in peace for years
Turn back the hands of time
Light shines before
As lives are torn
Morals slow decline
We'll live in cold fear
Until we lay dead
Silent our pleas
Search for the end
Silencie
Descansamos após todas as guerras
Enquanto o abrigo cai
O mundo é um inferno
Um lugar sombrio fora do tempo
Renda-se à derrota
Vivo em paz há anos
As luzes brilhavam antes
A vida se esvai
A moral se declina
Vamos viver num frio medo
Até morrermos, silencie nossos apelos
Procurando o fim
.
.
.
30.1.07
Ainda sou fã...
Ok, vocês venceram
Esse meu blog pequeno, despretensioso e que era só meu, vai ser aberto ao público.
É isso aí.
Meus textos estarão aqui, disponíveis (somente para leitura, hein galera?) , assim como as imagens e os links legais que eu localizar por aí.
Se os visitantes vão gostar, não sei.
Também, não me importo muito.
Isso aqui continua sendo um espaço pessoal, parte integrante de mim.
Beijos a todos.
Ro, A Profana
É isso aí.
Meus textos estarão aqui, disponíveis (somente para leitura, hein galera?) , assim como as imagens e os links legais que eu localizar por aí.
Se os visitantes vão gostar, não sei.
Também, não me importo muito.
Isso aqui continua sendo um espaço pessoal, parte integrante de mim.
Beijos a todos.
Ro, A Profana
2.9.06
1.9.06
12.8.06
Linear
me morde?
claro.
quando eu pedir?
todas as vezes.
sempre?
por todas as vidas.
gosta do meu cabelo?
do seu cheiro,
tenho gosto de quê?
de loucura.
mas, e o telefone?
deixa tocar.
e, com que roupa...?
nua, baby.
amor?
hum?
me morde?
sempre...
claro.
quando eu pedir?
todas as vezes.
sempre?
por todas as vidas.
gosta do meu cabelo?
do seu cheiro,
tenho gosto de quê?
de loucura.
mas, e o telefone?
deixa tocar.
e, com que roupa...?
nua, baby.
amor?
hum?
me morde?
sempre...
9.5.06
Uma chance, um motivo
(postado por Roberta Nunes, e só.)
Anda!
Não olha pra trás, não.
Não diga mais nada.
Só sinta o cano frio na sua nuca, e veja sua vida passando diante dos seus olhos.
Sinta o amor num único flash.
Me mostre os sonhos não realizados.
Se arrependa do que fez, e não fez.
Já mandei andar, porra!
O penhasco é logo ali, e meu dedo está dormente.
Veja o pôr-do-sol...quantas vezes você o ignorou?
Quantos beijos nos seus filhos você deixou de dar?
Cuidado!
Não quero que você se machuque, pelo menos não ainda, não antes da hora.
Pode parar aí mesmo, e olhe para o mar lá embaixo.
E sinta o cano da minha arma.
Ninguém sobreviveria a uma queda dessas, certo?
E ninguém sobreviveria a um tiro na nuca, não é?
Um motivo.
Só um motivo pra eu não te matar.
Sem choro, nem baba, nem mijar na calça vai me comover.
E você só tem uma chance, amigo.
Quem sou eu?
Pergunte pra sua consciência.
ps.: esse texto que eu adoro, foi escrito em 26/04/2005, e ganhou até uma versão em inglês feita por um amigo muito querido, e ficou perfeita pra ser gravada pelo Type O Negative, ou pelo Paradise Lost...
Anda!
Não olha pra trás, não.
Não diga mais nada.
Só sinta o cano frio na sua nuca, e veja sua vida passando diante dos seus olhos.
Sinta o amor num único flash.
Me mostre os sonhos não realizados.
Se arrependa do que fez, e não fez.
Já mandei andar, porra!
O penhasco é logo ali, e meu dedo está dormente.
Veja o pôr-do-sol...quantas vezes você o ignorou?
Quantos beijos nos seus filhos você deixou de dar?
Cuidado!
Não quero que você se machuque, pelo menos não ainda, não antes da hora.
Pode parar aí mesmo, e olhe para o mar lá embaixo.
E sinta o cano da minha arma.
Ninguém sobreviveria a uma queda dessas, certo?
E ninguém sobreviveria a um tiro na nuca, não é?
Um motivo.
Só um motivo pra eu não te matar.
Sem choro, nem baba, nem mijar na calça vai me comover.
E você só tem uma chance, amigo.
Quem sou eu?
Pergunte pra sua consciência.
ps.: esse texto que eu adoro, foi escrito em 26/04/2005, e ganhou até uma versão em inglês feita por um amigo muito querido, e ficou perfeita pra ser gravada pelo Type O Negative, ou pelo Paradise Lost...
15.10.05
A Sede
Busquei em cada rua.
Bebi de todos os copos.
Traguei todas as fumaças.
As luzes dos postes, nas esquinas.
Parada sob a lua,
uivando e enlouquecendo,
gritando palavrões e jurando de morte.
Vendo o sangue escorrendo pela sarjeta,
indo em direção ao ninho dos ratos, num festim e tanto!
E onde está o vampiro, numa hora dessas?
Onde está a língua ávida?
Onde estão os dentes afiados e precisos?
E a sede insana, turva e desesperada...
É, é você que eu procuro.
É seu sangue que busco, na verdade,
e é ele que escorre pelas ruas,
enchendo os bueiros do meu caminho,
das minhas estradas esburacadas, que percorro sozinha.
A música pulsando alta,
ensurdecedora nos fones plugados direto no cérebro,
a desordem gritada e mantida,
misturada ao amor e à fome.
E minha caminhada em busca de você continua, incerta, incoerente.
Uma cartomante me disse que estávamos longe um do outro,
que nossos sangues não se misturariam,
que saliva e gozo não mais seriam provados,
não haveria mais alimento pra mim.
Não chorei, é certo.
Só estive faminta.
E cortei os pulsos, e sorvi o que saia dali,
e ainda não sei se era alimento, ou se era desespero.
E seu beijo, naquele dia.
E seu corpo, naquele dia que nascia cinza,
e o letreiro vermelho-neon,
e o sangue no chão, misturado à vodka.
Os tambores anunciando guerras,
e as virgens caminhando para o sacrifício,
e o hardcore pulsando dentro da minha mente
depravada e corrompida,
sempre buscando,
o dia que já foi.
Roberta Nunes
16/10/2005
Bebi de todos os copos.
Traguei todas as fumaças.
As luzes dos postes, nas esquinas.
Parada sob a lua,
uivando e enlouquecendo,
gritando palavrões e jurando de morte.
Vendo o sangue escorrendo pela sarjeta,
indo em direção ao ninho dos ratos, num festim e tanto!
E onde está o vampiro, numa hora dessas?
Onde está a língua ávida?
Onde estão os dentes afiados e precisos?
E a sede insana, turva e desesperada...
É, é você que eu procuro.
É seu sangue que busco, na verdade,
e é ele que escorre pelas ruas,
enchendo os bueiros do meu caminho,
das minhas estradas esburacadas, que percorro sozinha.
A música pulsando alta,
ensurdecedora nos fones plugados direto no cérebro,
a desordem gritada e mantida,
misturada ao amor e à fome.
E minha caminhada em busca de você continua, incerta, incoerente.
Uma cartomante me disse que estávamos longe um do outro,
que nossos sangues não se misturariam,
que saliva e gozo não mais seriam provados,
não haveria mais alimento pra mim.
Não chorei, é certo.
Só estive faminta.
E cortei os pulsos, e sorvi o que saia dali,
e ainda não sei se era alimento, ou se era desespero.
E seu beijo, naquele dia.
E seu corpo, naquele dia que nascia cinza,
e o letreiro vermelho-neon,
e o sangue no chão, misturado à vodka.
Os tambores anunciando guerras,
e as virgens caminhando para o sacrifício,
e o hardcore pulsando dentro da minha mente
depravada e corrompida,
sempre buscando,
o dia que já foi.
Roberta Nunes
16/10/2005
1.10.05

Certo.
Ok.
Beleza.
Você venceu.
Me trouxe até aqui, e me deu seus motivos.
Não entendi bem seus argumentos, mas ouvi tudo.
Era tudo verde na minha mente, enquanto você dizia que deveria ser azul.
Eu queria flores, e você dizia que os frutos seriam melhores.
Alimento e sobrevivência...
Beleza e poesia, afinal.
E a tristeza te consumindo, numa roda-viva sem fim!
Fui te encontrar lá no parque, num dia de sol, pra te dizer que seria noite de lua cheia, e você apenas sorriu, como a gente sorri pra uma criança tola.
24.9.05
Ela caminhava.
Vinha pela rua, e tristeza resoluta no olhar.
Tinha um porte de princesa, altiva e segura, com brilho de pérola nos dentes, e orgulho estampado no sorriso, mas um quê de solidão no brilho do olho.
Não era ninguém, nada importante, nem indispensável na vida de quem quer que fosse.
Não se sentia dona de nada.
Era só, e só se mantinha, pra não doer depois, dizia.
Mas, lá no íntimo, ainda sonhava.
Queria um braço forte em torno da cintura fina, queria um beijo apaixonado, queria ser olhada como única, um tesouro, o sol.
Queria ainda sentir, sim, o peso de um homem sobre o corpo magro e bem-feito, entrelaçar as penas em pernas musculosas, emaranhar os cabelos em cabelos cacheados como os dela, e gemer junto com ele num dueto perfeito, uma vida inteira suspirada e misturada à saliva, num segundo de vida-quase-morte, em camas-terremotos.
O tempo, inimigo cruel e desumano, tirou essas coisas dela, os homens passaram por sua vida, e continuaram seus caminhos, buscando novas carnes e novas aventuras, e ela sorria seu sorriso de pérolas brilhantes, e sorria seu olhar triste.
E, assim caminhava Rita, mulher e linda, afilhada de Iemanjá, devota de grandes divindades e santas, pelas ruas de uma cidade qualquer.
Uma mulher comum, como tantas que cruzamos por aí, com seus amores e sorrisos complacentes, e cabelos ao vento, e lágrima que não escorria pelo rosto marcado pela vida, mas brotava direto da alma, do ventre, do vazio da solidão.
Roberta Nunes
25/09/2005
p.s.: Pessoal, esse texto é uma pequena experiência, num estilo diferente do meu habitual.
beijos a todos.
Vinha pela rua, e tristeza resoluta no olhar.
Tinha um porte de princesa, altiva e segura, com brilho de pérola nos dentes, e orgulho estampado no sorriso, mas um quê de solidão no brilho do olho.
Não era ninguém, nada importante, nem indispensável na vida de quem quer que fosse.
Não se sentia dona de nada.
Era só, e só se mantinha, pra não doer depois, dizia.
Mas, lá no íntimo, ainda sonhava.
Queria um braço forte em torno da cintura fina, queria um beijo apaixonado, queria ser olhada como única, um tesouro, o sol.
Queria ainda sentir, sim, o peso de um homem sobre o corpo magro e bem-feito, entrelaçar as penas em pernas musculosas, emaranhar os cabelos em cabelos cacheados como os dela, e gemer junto com ele num dueto perfeito, uma vida inteira suspirada e misturada à saliva, num segundo de vida-quase-morte, em camas-terremotos.
O tempo, inimigo cruel e desumano, tirou essas coisas dela, os homens passaram por sua vida, e continuaram seus caminhos, buscando novas carnes e novas aventuras, e ela sorria seu sorriso de pérolas brilhantes, e sorria seu olhar triste.
E, assim caminhava Rita, mulher e linda, afilhada de Iemanjá, devota de grandes divindades e santas, pelas ruas de uma cidade qualquer.
Uma mulher comum, como tantas que cruzamos por aí, com seus amores e sorrisos complacentes, e cabelos ao vento, e lágrima que não escorria pelo rosto marcado pela vida, mas brotava direto da alma, do ventre, do vazio da solidão.
Roberta Nunes
25/09/2005
p.s.: Pessoal, esse texto é uma pequena experiência, num estilo diferente do meu habitual.
beijos a todos.
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