24.6.09

Fantasticon 2009

Colei as informações lá da Cristina Lasaitis onde, por sinal, está bem mais completo...



Este ano, o Fantasticon 2009 – III Simpósio de Literatura Fantástica, será nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

A idéia do Fantasticon 2009 é reunir pessoas interessadas em Literatura Fantástica (ficção científica, fantasia e horror) para que elas possam se encontrar, trocar idéias, informações e se divertir.

A proposta é incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico no Brasil. Para isso, contaremos com palestras, mesas-redondas, oficinas, mostra de filmes, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e muita confraternização!

O Fantasticon 2009 é organizado por Silvio Alexandre, em uma realização da Biblioteca Temática Literatura Fantástica Viriato Corrêa, do Sistema Municipal de Bibliotecas e da Secretaria Municipal de Cultura. Com o apoio do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), da Fly Cow Produções Culturais, da Cálamo Editorial, do CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica), da OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) e da TV Cronópios.


Programação

SÁBADO – dia 25 de julho

11 às 13 horas

Palestra: “PERSONAGENS DE FANTASIA: ARQUÉTIPOS,HERÓIS E ANTI-HERÓIS”
Encontro do GELF (Grupo de Estudos de Literatura Fantástica), coordenado pela escritora Rosana Rios, que se dedica a discutir, apreciar e divulgar obras literárias de literatura fantástica (ficção científica, fantasia e horror) suas interações e obras precursoras, além de comentar transposições para cinema, teatro, televisão e quadrinhos.

11 às 13 horas

Oficina: “ENTRANDO NO MERCADO EDITORIAL – O QUE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO”
Para quem tem um projeto literário pronto e está buscando entrar no mercado; para quem está colocando seu projeto no papel; ou ainda para quem está com uma boa idéia e quer iniciar sua obra. O objetivo desta oficina é, através das experiências do editor e escritor Gianpaolo Celli, e da autora Cristina Lasaitis, não só mostrar um pouco do mercado, mas também dar dicas de como fazer para entrar nele, passando por aspectos que abrangem desde a criação da idéia, personagens, trama; até como apresentar o projeto terminado para editora, e o que fazer após a publicação, quando o livro já estiver nas prateleiras.

Cristina Lasaitis é escritora e biomédica pela Unifesp, onde atua como pesquisadora na área de Neurociências. É co-autora das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (Tarja), revista “Scarium” (Scarium Info), “FC do B” (Book House Boys), e “Paradigmas, volume 1″ (Tarja); e autora do livro “Fábulas do Tempo e da Eternidade” (Tarja).
Gianpaolo Celli é escritor e editor, além de administrador de empresas. Tem se dedicado ao estudo de ocultismo, esoterismo e mitologia. É colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).


13 às 13h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
O Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

13h30 às 14 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.

14 às 15 horas

Mesa-redonda: “MITOS E DRAMAS DO VAMPIRO CONTEMPORÂNEO”
Imortalidade, sedução, mistério, sexualidade, terror, suspense, sobrenatural, fazem dos vampiros, personagens fascinantes. Desde sua origem, a figura do vampiro passou por uma transformação completa e complexa. Vamos discutir como, no dias de hoje, este morto-vivo tomador de sangue é visto no seio da nossa atual cultura globalizada?

Giulia Moon é escritora e publicitária. Publicou três coletâneas de contos: “Luar de Vampiros” (Scortecci), “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros” (Landy) e “A Dama-Morcega” (Landy). Participou da coletânea “Amor Vampiro” (Giz Editorial). Edita o fanzine FicZine e é co-editora da revista “Scarium Megazine”. Está lançando o romance “Kaori – Perfume de Vampira” (Giz Editorial).
Judith Tonioli Arantes é tradutora e professora. Faz mestrado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde desenvolve sua dissertação pesquisando sobre o mito do vampiro contemporâneo, principalmente os personagens dos livros de Anne Rice e Stephenie Meyer. Foi uma das autoras do livro “Senhora dos Anéis” (Devir).

Natasha dos Reis é fundadora e organizadora dos fãs clubes Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”) e Slyfriends (fã clube brasileiro da saga “Harry Potter”). Produtora de eventos e pesquisadora de Literatura Fantástica, principalmente quando vampiros são o tema principal.
Elídia “Lica” Zotelli é membro fundadora e líder do fã clube Twilight Universe (fã clube oficial brasileiro da saga “Crepúsculo”). Uma zootécnica que tem se dedicado ativamente ao estudo, pesquisa e divulgação da literatura de vampiros.

15 às 16h30 horas

Bate-papo: “O MERCADO EDITORIAL DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL”
Saiba tudo por quem decide.Importante participação dos editores do gênero fantástico com novidades, informações e curiosidades do mundo editorial de hoje.

Adriano Fromer Piazzi, diretor editorial da Editora Aleph.
Douglas Quinta Reis, diretor editorial da Devir.
Ednei Procópio, diretor editorial da Giz Editorial.
Richard Diegues, diretor editorial da Tarja Editorial
Rodrigo Coube, diretor editorial da Idea Editora


17 às 18h30

Bate-papo: “PRÁTICA DE ESCRITA DE LITERATURA FANTÁSTICA”
Autores veteranos da nova geração se encontram para a troca de experiências e conhecimentos sobre o mercado editorial e a prática da criação literária. Internet, cinema, teatro, poesia, conto, crônica e outros gêneros textuais, eles discutem Literatura Fantástica, num bate-papo cheio de idéias e dúvidas, começos e fins.

Nelson de Oliveira é escritor. Doutor em Letras pela USP, publicou mais de vinte livros, entre eles os romances “Subsolo Infinito” (Cia. das Letras) e “A Maldição do Macho” (Record – publicado também em Portugal); a coletânea de contos “O Filho do Crucificado (Ateliê – também lançado no México), e de ensaios “A Oficina do Escritor” (Ateliê). Organizou as antologias “Geração 90: Manuscritos de Computador” (Boitempo) e “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), com os melhores prosadores brasileiros surgidos no final do século 20. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas (1995), o da Fundação Cultural da Bahia (1996), duas vezes o da APCA (2001 e 2003) e o da Fundação Biblioteca Nacional (2007). Atualmente coordena, em várias instituições, oficinas de criação literária para escritores com obra ainda em formação.
Kizzy Ysatis é escritor. Estudioso da vida gótica e da cultura underground, é grande amante e conhecedor dos mitos de vampiro. Publicou o romance “Clube dos Imortais: a Nova Quimera dos Vampiros“ (Novo Século), além de vários contos. Cursou Produção Editorial até o penúltimo ano. Em 2005, o “Clube dos Imortais” foi agraciado com o prêmio Rachel de Queiroz, da Academia Brasileira de Letras, e outorgado pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.
Ronaldo Bressane é escritor, jornalista e editor. Publicou a trilogia de contos “A Outra Comédia”, formada por “Os Infernos Possíveis (Com-Arte/USP), “10 Presídios de Bolso” (Altana) e “Céu de Lúcifer” (Azougue); e o volume de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente). Ao lado de Joca Reiners Terron, Marcelino Freire e Nelson de Oliveira, co-editou a coleção “Risco: Ruído” (DBA). Além de colaborações em sites, revistas e suplementos literários, participou da revista “PS: SP” (Ateliê) e das antologias “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo), “Paixão por São Paulo” (Terceiro Nome), “Fábulas da Mercearia: Uma Antologia Bêbada” (Ciência do Acidente), “Sex’n’Bossa” (Mondadori) e “Lusofonia” (Nuova Frontiera).
Santiago Nazarian é escritor, tradutor e roteirista. Autor de cinco romances, entre eles “O Prédio, o Tédio e o Menino Cego” (Record), “Feriado de Mim Mesmo” (Planeta) e Mastigando Humanos (Nova Fronteira). Em 2003, recebeu o Prêmio Fundação Conrado Wessel de literatura por seu romance de estréia, “Olívio” (Talento). Em 2007, foi um dos autores convidados para as comemorações do Hai Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Suas obras foram traduzidas para o espanhol e o italiano, em diversos países da Europa e da América Latina.




DOMINGO – dia 26 de julho

11 às 13 horas

Oficina: “COMO CRIAR PERSONAGENS”
André Vianco, o mais consagrado escritor da atualidade do gênero fantástico abre o jogo, dá dicas e informações sobre como construir e utilizar os personagens nas histórias. Uma oportunidade rara!

André Vianco é autor dos best sellers “Os Sete” e “Sétimo”, que explora o universo sobrenatural (vampiros, lobisomens, anjos e batalhas entre o bem e o mal) elaborando um cenário surrealista, mas com elementos da realidade do dia-a-dia e histórias passadas no Brasil. É hoje o escritor brasileiro que mais conquista leitores de fantasia & horror e seus livros estão entre os mais vendidos na literatura fantástica brasileira.
11 às 12 horas

Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

Fabio Fernandes é jornalista, tradutor e dramaturgo. Seus contos foram publicados no Brasil, Portugal, Romênia e Estados Unidos. Publicou a coletânea de contos “Interface com o Vampiro” (Writers) e “A Construção do Imaginário Cyber” (Anhembi Morumbi). É Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e professor pela mesma instituição. Foi curador do “Invisibilidades II” (2008), do Instituto Itaú Cultural, evento voltado para a Ficção Científica, e fará a curadoria da terceira edição, ainda em 2009.
Gianpaolo Celli, além administrador de empresas, é escritor e editor. Estudioso de ocultismo, esoterismo e mitologia. Tem matérias e aventuras-solo de fantasia na revista Dragão Brasil; é colunista do site de neopaganismo “Tribos de Gaia”; co-autor da coleção Necrópole: “Histórias de Vampiros” (2005), “Histórias de Fantasmas” (2007) e “Histórias de Bruxaria” (2008); das coletâneas “Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos” (2006) e “Paradigmas, volume 3″ (2009), e co-editor e co-autor dos livros “Histórias do Tarô” (2008) e “Steampunk” (2009).
Bruno Accioly é empresário da área de tecnologia, editor da revista de internet OutraCoisa.com.br, co-fundador do Conselho SteamPunk e responsável pela loja Rio de Janeiro. Crítico da forma como o homem se relaciona com a tecnologia, é estudioso de Filosofia e seu rebento mais bem sucedido, a Ciência. Especialista em Usabilidade – disciplina que lida com a interação homem/máquina – atua na área há mais de dez anos enquanto divide seu tempo como redator e ficcionista.

12 às 12h30

Mostra de filmes: “OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”
O Festival Curta Fantástico é um evento que exibe curtas-metragens nacionais, desde 2006, com a temática fantástica, ou seja, filmes de horror, ficção científica ou fantasia, a Fly Cow, produtora que realiza o festival, fez uma seleção com os melhores curtas fantásticos nacionais que foram apresentados na última edição, no ano passado em São Paulo. Teremos uma sessão no Sábado e outra no Domingo.

12h30 às 13 horas

Mostra de vídeos: “MOSTRA DE BOOK TRAILERS”
Com a popularização da internet, a literatura fantástica brasileira entrou na era digital. Driblando a falta de interesse e de divulgação na grande mídia, os escritores vêm utilizando novas formas de promover seu trabalho. A criação de vídeos vem se tornando cada vez mais popular e alcançando o objetivo principal, que é tornar conhecido o livro que anuncia. O CLFC (Clube de Leitores de Ficção Científica) e a OPELF (Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica) reuniram alguns desses vídeos numa pequena mostra.

13 às 14h30

Mesa-redonda: “O FANTÁSTICO NA EDUCAÇÃO”
Uma discussão sobre a utilização da Literatura Fantástica como instrumento pedagógíco e sua utilização em sala de aula. Como promover a formação de novos leitores e utilizar a literatura e os elementos do universo fantástico como um recurso dentro da escola para melhorar o desempenho dos estudantes.

Flávia Muniz é escritora e pedagoga. Com vários prêmios e diversos livros adotados por escolas e instituições, têm mais de 3 milhões de livros vendidos. Entre eles “Os Noturnos”, “Viajantes do Infinito” (Editora Moderna), “Brincadeira de Saci” (Editora Scipione), “O Tubo de Cola” (Editora Moderna) e “A Gatocleta do Miafino” (FTD).Trabalhou também na criação de produtos para crianças e jovens, como revistas de atividades, quadrinhos, enciclopédias, sites e jogos. Participou, ainda, de teatro infantil e escreveu para a TV Cultura.
Martha Argel é bióloga, com doutorado em Ecologia, e escritora de livros de literatura fantástica, crônicas e divulgação científica. Como escritora de literatura fantástica, publicou entre outros, o romance “Relações de Sangue” (Novo Século) e a coletânea “O Livro dos Contos Enfeitiçados” (Landy Editora). Participou de antologias, como “Amor Vampiro” (Giz Editorial) e “O Livro Vermelho dos Vampiros” (Devir). Seus lançamentos mais recente são “O Vampiro Antes de Drácula” (Aleph) e “O Vampiro da Mata Atlântica” (Idea Editora).
Rosana Rios é bacharel em Arte-Educação pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Foi roteirista de programas infantis para a TV Cultura de São Paulo e outras emissoras. É autora de Literatura Infantil e Juvenil desde 1988, e já publicou mais de 100 livros em 15 editoras. Recebeu vários prêmios literários, entre eles o Bienal Nestlé de Literatura, em 1990, o Cidade de Belo Horizonte, em 1991, além de selos “Altamente Recomendável”, da FNLIJ (Fundação afiliada ao IBBY) em 1995 e 2005; e foi finalista do prêmio Jabuti 2008 na categoria Literatura Juvenil.
Janaina Azevedo tem formação acadêmica em Lingüística e Teoria Literária pela Universidade de São Paulo e em Ciências da Religião pela Faculdade Mosteiro de São Bento. É presidente da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica, e já comandou várias entidades de produção cultural. Pela Editora Vortex (antiga Tudoteca), trabalha como agente literária e publica obras de pesquisa histórica e literatura fantástica. É pioneira no uso da Literatura Fantástica em sala de aula.

15 às 16h30

Palestra: “A LITERATURA FANTÁSTICA NA AMÉRICA LATINA”
O Realismo Mágico é uma característica própria da literatura latino-americana da segunda metade do século XX que funde a realidade narrativa com elementos fantásticos e fabulosos, não tanto para reconciliá-los como para exagerar sua aparente discordância. Floresceu nos anos sessenta e setenta, enraizado nas discrepâncias surgidas entre cultura da tecnologia e cultura da superstição, e em um momento em que o auge das ditaduras políticas converteu a palavra numa ferramenta infinitamente apreciada e manipulável.

Ana Cecília Olmos é graduada em letras modernas pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina, é professora de literatura hispano-americana da USP, especialista em literatura e cultura hispano-americana do século XX. É autora, entre outros, de “Intelectuales, instituciones, tradiciones” (Javier Lasarte [org.]), “Territorios Intelectuales. Pensamiento y cultura en América Latina” (Caracas, La nave va) e de “Releituras de Borges. A revista Punto de Vista nos anos 80″ (Jorge Schwartz [org.]), “Borges no Brasil” ( Edunesp).
Horácio Corral é produtor cultural. Foi livreiro e organizador de eventos na Livraria Cultura. Atualmente é um dos produtores da OPELF – Oficina de Produção e Estudos de Literatura Fantástica. É responsável pela loja virtual Beco Imaginário e a produtora de jogos Tudoteca. Entre as suas áreas de atuação encontram-se jogos e literatura fantástica, tendo uma especial atenção sobre a obra de Jorge Luis Borges e Alejandro Dolina. É estudioso de literatura hispano-americana e trabalha com difusão de leitura e produção independente, além de tradução.
17 às 18h30

Palestra: “AS HISTÓRIAS DESCONHECIDAS DE EDGAR ALLAN POE”
Narrativas científicas, misteriosas, permeadas de terror, horror, suspense, policialescas, Edgar Allan Poe carrega nas costas o título de criador de vários gêneros literários. Poe foi responsável não somente por influenciar alguns dos escritores decisivos das décadas seguintes, bem como por estabelecer com propriedade caminhos novos e férteis para a literatura ocidental do então século XIX. Recordando os 200 anos do seu nascImento, o escritor Bráulio Tavares está preparando uma antologia com contos pouco conhecidos de Poe. Nesta palestra, ele falará sobre essas histórias e de como Poe elevou o conto como gênero.

Bráulio Tavares é escritor, roteirista e compositor. Compilou a primeira bibliografia do gênero: o Fantastic, Fantasy and Science Fiction Literature Catalog (Fundação Biblioteca Nacional). Autor de “A Espinha Dorsal da Memória”, “A Máquina Voadora” e “Anjo Exterminador” (todos pela Rocco). Organizou as antologias “Freud e o Estranho”, “Contos Fantásticos no Labirinto de Borges” e “Páginas de Sombra”; (todos pela editora Casa da Palavra).


EXPOSIÇÕES


SÁBADO e DOMINGO - a partir das 11 horas

Painel comemorativo: “40 ANOS DO SYMPOSIUM DE FICÇÃO CIENTÍFICA“
O “Simpósio de FC” foi o primeiro “international meeting” (encontros internacionais de escritores profissionais), da história do gênero. O “Simpósio de fc” foi um evento integrante do II Festival Internacional do Filme, no Rio de Janeiro, em março de 1969, entre os dias 24 e 30.

Dos Estados Unidos, vieram Forrest J. Ackerman, Karen e Poul Anderson, Alfred Bester, Robert Bloch, Leigh Chapman, Roger Corman, Carol e Ed Emshwiller, Harlan Ellison, Philip José Farmer, Harry Harrison, Robert A. Heinlein, Damon Knight e Kate Wilhelm, George Pal, Frederik Pohl, Robert Sheckley e A. E. van Vogt.

Da Espanha veio Luis Gasga e da França vieram Jacques Baratier, Robert Benayoun, Michel Cae e Jacques Sadoul. Da Inglaterra, Brian W. Aldiss, J. G. Ballard, John Brunner, Val Guest e Rolf Rilla. Do Uruguai veio Marcial Souto.

E do Brasil estiveram presentes André Carneiro, Clóvis Garcia, Ruy Jungman, Álvaro Malheiros, Walter Martins e Jerônymo Monteiro.

Um outro inglês, Arthur C. Clarke, cujo filme 2001: Uma Odisséia no Espaço , desenvolvido por ele em parceria com o cineasta Stanley Kubrick, fora lançado no ano anterior e alcançado reconhecimento estrondoso, também esteve presente para ser homenageado com o troféu “Monólito Negro”.

Exposição de esculturas: “VISÕES SECRETAS“
Caboclos coroados, golems feitos de algas, índios guerreiros com cocares vivos, criaturas híbridas de vegetal, animal e humano, parecem ter-se despregado da superfície bidimensional dos desenhos para invadir o mundo em três dimensões de onde os contemplamos.

O mundo de onde Cavani Rosas extrai seus personagens é um mundo fantasmagórico cujas leis parecem definidas em parte por essas escolas esotéricas, e em parte pela Física Quântica.

São criaturas que parecem personagens de William Blake invadindo-se de um desenho de Rugendas, ou seres lovecraftianos esvoaçando sobre uma paisagem de Frans Post.

Cavani Rosas sempre deu uma duplicidade perturbadora aos seres que engendra: o mágico ao lado do científico, o vislumbre onírico trazido à tona da mente com o rigor anatômico de quem já dissecou cadáveres por mero hobby. As criaturas podem ser inverossímeis, mas sua concretude física desafiaria as objeções de uma banca examinadora. O elemento fantástico emerge com todo vigor nas esculturas a que Cavani vem se dedicando nestes últimos anos.

Cavani Rosas é desenhista e escultor. Artista pernambucano, nascido no Recife, dedica-se basicamente à escultura e ao desenho em bico-de-pena.

LANÇAMENTO & ENCONTROS COM OS AUTORES

“Alma e Sangue”, de Nazarethe Fonseca (Editora Aleph)

“O Arqueiro e a Feiticeira”, de Helena Gomes (Idea Editora)

“Os Guardiões do Tempo”, de Nelson Magrini (Giz Editorial)

“Kaori – Perfume de Vampira”, de Giulia Moon (Giz Editorial)

“O Livro Vermelho dos Vampiros”, de Luiz Roberto Guedes (org.) (Devir)

“O Prédio, o Tédio e o Menino Cego”, de Santiago Nazarian (Record)

“O Povo da Névoa”, de H. R. Haggard (Edições GRD)

“Steampunk”, de Gianpaolo Celli (org.) (Tarja Editorial)

“Ubik”, de Philip K. Dick (Editora Aleph)


TV CRONÓPIOS: FANTASTICON 2009 AO VIVO

Neste ano, teremos a cobertura jornalística da TV Cronópios, que transmitirá ao vivo toda a programação do Fantasticon 2009. A TV Cronópios é um canal online de literatura e arte que transmite entrevistas com escritores em eventos, coberturas de lançamentos literários e reportagens gravadas no local de trabalho ou na casa de escritores.

Criado em 2005, o portal Cronópios é um projeto com o intuito de mapear e fomentar a literatura contemporânea brasileira, em todas as regiões do país. Tem 40 colunistas fixos, que são escritores premiados de várias gerações literárias, e de diversas regiões do país, assim como de outros países: Espanha, México, Uruguai, Argentina e Angola. O site movimenta hoje cerca de 1 milhão e 300 mil de PageViews ao mês.

Mostra de filmes: ”OS PREMIADOS DO FESTIVAL CURTA FANTÁSTICO”

BICHO – (Melhor Filme de Fantasia)
Dir. Vitor Brandt – 13 min. Fantasia
Garoto de 9 anos, tímido e solitário, tem uma fascinação por animais. Sua mãe odeia bichos e sempre se livra deles. Ao encontrar um bicho diferente dessa vez, a história do garoto não irá terminar da mesma maneira.

O DIABO DA GUARITA (Menção Honrosa)
Dir. João Tenório – 18 min. Horror
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

O ANDAR SUPERIOR (Menção Honrosa)
Dir. Leo Ribeiro – 06 min. Fantasia
Teotônio Flanela, um simples contador, vive situações inusitadas para conseguir embarcar para o descanso eterno.

O POVO ATRÁS D MURO (Menção Honrosa)
Dir. Marconi Loures – 08 min. Fantasia
Um povo descobre não serem os únicos habitantes em um pequeno planeta.

O GRITADOR (Prêmio Estímulo)
Dir. Ulisses Costa e Carlos Porto – 15 min. Horror
Três rapazes da cidade grande acampam nos cânions dos Campos de Cima da Serra (RS). Encontram dois misteriosos guias e ficam conhecendo a lenda de um homem cruel que foi condenado a vaguear pelo mundo como uma alma penada – o temível Gritador.

MEU CARRO, O MEU CARRO (Melhor Filme pelo Júri Popular)
Dir. Guilherme Nasraui – 08 min. Fantasia
Ao pegar se velho carro para um encontro profissional, homem encontra baú mágico e tem a oportunidade de pedir qualquer coisa. É hora de colocar à prova sua inteligência.

VOLTAGE (Melhor Filme de Ficção Científica)
Dir. Willian Paiva e Filipe Lyra – 04 min. Ficção Científica
Um homem dentro de uma guarita é assombrado. Baseado em fatos reais.

Em Voltage, robôs meio-humanos e meio-sintetizadores movidos por doses cavalares de energia se conectam num transe elétrico e caótico.

VADATA (Melhor Filme de Horror)
Dir. Manuel Lebelt – 10 min. Horror
Dentro de um envelope com remetente desconhecido. uma única peça de um quebra-cabeça. Outros envelopes chegam com mais peças e algo se torna real além da soma das partes.

ROCK ROCKET DOIDÃO (Melhor Maquiagem)
Dir. Kapel Furman – 05 min. Horror
Um bar se tornará palco para uma seqüência sangrenta alucinante, apresentando o rock’n’roll da forma mais visceral possível.

A VOLTA DO CANDANGO (Melhor Criatura)
Dir. Filipe Gontijo e Eric Aben-Atharo – 06 min. Fantasia
Os operários (candangos) que construiram Brasília trabalhavam mais de 16 horas por dia. Muitos morriam no canteiro de obras. Agora um desses operários volta dos mortos para ver como ficou a cidade que ajudou a construir.

O HOMEM DA CABEÇA DE PAPELÃO (Melhor Efeito)
Dir. Carlos Canela – 15 min. Ficção Científica
Em uma sociedade no tempo, um homem muda de cabeça e descobre que só a verdade não o libertará.

O ASSASSINATO DA MULHER METAL (segundo mais votado pelo público)
Dir. Joel Caetano – 18 min. Ficção Científica
Antigos heróis se juntam para desvendar o assassinato de uma ex-companheira, durante a investigação descobrem algo maior acontecendo.




Endereço: Rua Sena Madureira, 298
Vila Mariana – 04021-050 São Paulo, SP
Tel.: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389
ENTRADA FRANCA

1) Não é necessário se inscrever antecipadamente.
As senhas, para todas as atividades,
serão distribuídas com 1h de antecedência,
obedecendo à capacidade de lotação:
101 lugares na Sala Luiz Sérgio Person e
40 lugares no Espaço Temático de Literatura Fantástica.

2) As exposições estarão no andar térreo da biblioteca durante todo o evento.

16.6.09

Um curto ensaio íntimo sobre o meu próprio cinismo

Esse texto estava no Estilhaços de Alma, mas acho que se encaixa perfeitamente aqui também.
Estou com preguiça de cuidar de dois espaços ao mesmo tempo e, como aqui é mais antigo... bom, dane-se.
Lê aí e não enche.


A simples tentativa de fazer com que os sentimentos se comportam como tal, já faz com que a situação se torne risível, e o cinismo toma conta de tudo.
O bom e velho cinismo, companheiro de muitos copos no bar, presente em muitas rodas de conversa.
Sempre ali.
Sempre pronto pra te provar que ele está sempre certo.
Não adianta você esperar que um dia as coisas mudem, e você comece a encarar o mundo de uma forma diferente.
O cancro vai aparecer bem lá no canto direito do seu sorriso, aquele sorriso que você ensaia na frente do espelho, é, aquele que é pra parecer sincero, honesto, doce.
Ele te come por dentro, aos poucos, cada dentada profunda, agulhas finas de tatuagem unidas no esforço de marcar e marcar, e lembrar e lembrar.
Dor aguda.
Espera-se que as pessoas sejam boas e, quando elas são honestas e verdadeiras, fugimos delas, nos vemos espelhados nas lentes redondas de suas personalidades distorcidas.
Descobrir que sua vida é um enorme clichê, faz de você uma poça escura e estagnada de cinismo.
O próprio cinismo é clichê, dos mais baratos e ridículos.
Você olha pro céu, e pede uma resposta.
Quando ela chega, parece mais uma confirmação do que você já sabia, os anjos mostrando com mímicas e teatrinho, que você sempre estava certo o tempo todo, mesmo com a cara mergulhada na sua própria poça esverdeada.
E tudo na sua vida caminha nessa linha fina e reta, um fio de espada cega e enferrujada, um pé na frente do outro, tal e qual a moça malabarista com a sombrinha de renda na mão, só que a platéia, repleta de espelhos refletindo você, torce para que você caia na piscininha cheia de piranhas lá embaixo.
Acho que eu ando lendo muitos autores assumidamente cínicos.
E tenho me identificado bastante com eles.
Prefiro assim, a verdade impressa.
O cuspe na cara.
O porre homérico.
Depois, a ressaca amarga.
E duas aspirinas, engolidas com a ajuda da água podre da minha própria poça.


Roberta Nunes
18/02/2009

15.6.09

Compre um cachorro.



Não que eu não goste de pessoas.
Gosto.
Um pouco.
Elas cansam.
Quando estão na merda, te consideram o melhor amigo.
Se afastam quando estão felizes.
Acho que é mais ou menos como fazemos com Deus.
Procuramos por Ele quando as dívidas estão nos afogando, quando o marido nem sabe mais onde enfia a piroca, quando os filhos injetam drogas com aquelas enormes agulhas de lipoaspiração.
Quando estamos bem?
Bom, fazemos churrascos pra comemorar.
Queimamos um monte de carvão, comemos um monte de carne e produzimos um monte de lixo.
É isso aí, pessoal.
Esses foram os entimenos que um feriado prolongado me causaram.
Senti enjôo.
Náusea.
Até uma ligeira diarréia.
E não tem nada a ver com o tal Dia dos Namorados.
O pobre Santo Antônio não tem culpa nenhuma.
São as pessoas.
Pessoas dão muito trabalho.
Compre, adote, arrume um cachorro.
Ele sempre ficará feliz em te ver, vai se mijar todo de alegria, independente de você ser rico, pobre, gótico ou punk.
E nunca, em hipótetese alguma, fique esperando aquela maldita ligação.




Roberta Nunes
15/06/2009

29.5.09

Tá, confesso.
Tenho uma preguiça tremenda de ler sobre quadrinhos.
Mas, depois de tropeçar na notícia de que haverá uma Luluzinha teen, bom, fui conferir no Blog dos Quadrinhos.
Gostei muito!
E, pra fechar a semana com chave de ouro, que tal "O Guarani" (um dos meus favoritos)em quadrinhos?
Acho foda essa iniciativa de tentar trazer os CLÁSSICOS pra perto da garotada.
Lindona essa capa.



VLP.

26.5.09

Dica de Blogs e Sites.

Que tal perder umas horinhas lendo coisas interessantes sobre coisas interessantes?
Passa lá: Cristina Lasaitis.
Muitas dicas bacanas sobre cinema, literatura, resenhas do que a Cris (sim, ela é minha amiga!) anda lendo, e links para outros pontos dessa rede internética mundial de meudeus.
Mais um lugarzinho onde me sinto absolutamente confortável: Camila Fernandes (Escritora).
Contos, resenhas, referências.
Só coisa boa.
E sim, a Cam também é minha amiga.
E, finalizando este postzinho de nada, mais um:
Eric Novello.
Rapaz amável.
Não se engane.
Por baixo daquele rostinho lindo e daquele sorriso tímido vive um escritor de punho forte, imaginação agressiva e muita, mas muita história pra contar.
É crítico sim, mas inteligente (seria isso um paradigma???).
Sempre online entre o Fantastik e o Aguarrás, que, segundo os responsáveis, é um periódico científico online sobre artes.
E só pra comunicar, o Eric também é meu amigo!
Depois caço mais algumas coisas legais pra postar aqui.

Sodomia e Feitiçaria

Visitando um site que eu gosto muito, o Morte Súbita, tropecei num artigo interessantíssimo sobre magia sexual gay, mais especificamente, gay masculino.
Phil Hine fala sobre as sensações de ser penetrado por seu amante, e da plenitude e profundidade das emoções que essa "posse" provoca.
Vale a pena dar uma conferida.
VLP.

25.5.09


Vamos lá!
Preguiça...
Preguiça de cuidar de dois bloguitos.
Então, vamos voltar ao que era antes: um só.
Assim, me animo mais.
Cuido mais dos meus asuntos, e tenho mais vontade de caçar coisas interessantes.
Vou transferir pra cá os posts lá do Estilhaços de Alma.
Adeus e obrigado pelos peixes!

NÃO ENTRE EM PÂNICO!


Dia do Orgulho Nerd.
Dia da Toalha.
Dia do lançamento de Star Wars (Episódio 3???).
Bom, eu como boa trekker que sou, que já tive os meus delírios de me tornar um jedi, e sou fão de carteirinha do Guia do Mochileiro das Galáxias, acredito que posso comemorar o dia de hoje.
Tenho a Enterprise NCC 1701-A como papel de parede no meu pobre e velho pc de trabalho.
Tenho A Marcha Imperial como toque no meu celular.
E trago sempre uma toalha na bolsa (ela já me salvou de alguns apuros)!
Post bem legal no Jovem Nerd.

Que a Força nos Esteja sempre Conosco, e nos Proporcione uma Vida Longa e Próspera.

21.5.09

Paradigmas 2


Paty, Gian, Lu, eu e Eric.

O lançamento do Paradigmas 2 foi outro grande sucesso.
Muita gente bacana, muito bate-papo e muito chopp.
O Bardo Batata ficou pequeno!
Aí estão os responsáveis por esse grande barato.

Gianpaolo Celli e Richard Diegues



A cabeça do Alê, Gian, Richard e Camila

6.4.09

Paradigmas

Dizer o quê?
O lançamento foi um sucesso total!
Tinha tanta gente, que nós, os colaboradores, mal conseguíamos autografar e conseguir autógrafos uns dos outros!
Só tenho que agradecer ao Richard Diegues, meu anigo querido e doido o suficiente para me enfiar num projeto desses, e ao pessoal todo, inclusive aos amigos novos que fiz, e um beijo especial aos amigos de sempre (Li, te amo!!!).
O Paradigmas II já está no forno, e estamos no aguardo.
Não faço parte dessa segunda parte, mas quem sabe, da terceira???
rs
Vida longa e própera.

22.7.08

" O chão é a cama para o amor urgente,
amor que não espera ir para a cama.
Sobre o tapete ou duro piso, a gente
compõe de corpo e corpo a úmida trama
E para repousar do amor, vamos a cama."

Carlos Drummond de Andrade

2.7.08

Quando desejos outros é que falam

Quando desejos outros é que falam
e o rigor do apetite mais se aguça,
despetalam-se as pétalas do ânus
à lenta introdução do membro longo.
Ele avança, recua, e a via estreita
vai transformando em dúlcida passagem.

Mulher, dupla mulher, há no teu âmago
ocultas melodias ovidianas.

Carlos Drummond de Andrade

16.5.08

Saudade


Ah, sim!
A pústula!
Nojenta, cheia de pus esverdeado e mau-cheiro.
Uma coisa horrível de se ver.
Uma cicatriz mal costurada que, ao menor movimento, cospe podridão.
É assim que te vejo hoje.
E percebo como é pervertido o prazer de lamber essa ferida, travestida de amor.
As formigas já invadindo nossa cama, e as moscas, ah, as moscas! tão fiéis aos cadáveres em decomposição, fazendo sinfonias ao nosso redor.
Larvas gordas e brilhantes nadando no nosso suor azedo.
Baratas cascudas limpando os cantos das nossas bocas babosas, restos de vinho e beijo.
Restos de restos.
Fios de cabelos nas fronhas imundas, cheias de manchas mitológicas.
Olho em volta e vejo a degradação: paredes descascadas e mofadas, tapetes rotos, um prato com restos de refeições debutantes.
Insetos e você.
Aranhas se fartando...
"Who wants to live forever?
Who dares to love forever?
When love must die?"*
Não quero ser enterrado vivo num túmulo que nem é meu.
Nessa lápide, meu nome não está escrito, e as datas não correspondem ao meu mapa astral (que eu nunca fiz).
O som oco dos seus ossos descalcificados, o rangido das suas articulações!
E os livros desfolhados, jogados sobra a nossa cama, uma colcha de núpcias.
E as folhas secas das árvores do cemitério, que é nosso vizinho mais querido, invadem nosso universo de gemidos e gritos agonizantes e revirar de olhos e arrastar de correntes.
Beijo pois, pela última vez, essa boca desdentada.
E sinto, pela última vez, esse hálito morto invadir meus pulmões.

Roberta Nunes
10/05/2008

* "Quem quer viver para sempre?
Quem ousa amar para sempre?
Quando o amor dever morrer?"
Who wants to live forever - Queen

RECOLHIMENTO
Charles Baudelaire

Sê sábia, ó minha Dor, e queda-te mais quieta.
Reclamavas a Tarde; eis que ela vem descendo:
sobre a cidade um véu de sombras se projeta,
a alguns trazendo a angústia, a paz a outros trazendo.

Enquanto dos mortais a multidão abjeta,
sob o flagelo do Prazer, algoz horrendo,
remorsos colhe à festa e sôfrega se inquieta,
dá-me, ó Dor, tua mão; vem por aqui, correndo deles.

Vem ver curvarem-se os Anos passados
nas varandas do céu, em trajes antiquados;
surgir das águas a Saudade sorridente;
O Sol que numa arcada agoniza e se aninha,
e, qual longo sudário a arrastar-se no Oriente,
ouve, querida, a doce Noite que caminha.

15.5.08

em algum dia de maio

A espada jazia na lama.
A lâmina, outrora reluzente, estava negra de sangue seco.
Nem a chuva incessante dissolvia aquela bainha funesta.
Logo, a própria lama, onde repousava, displicente, a cobriu.
E nem o som das grossas gotas batendo no metal era mais ouvido.
E os corvos e abutres fugiam, assustados com aquela tempestade tão incomum.
Mais parecia um lamento dos céus, derramado pelos valorosos que tombaram naquele dia.
Mas, aquele não seria o último dia daquela lâmina.
Ela não seria maculada pelo tempo, seu fio permaneceria mortal, e a oxidação não mancharia seu aço.
Ela adormeceria, até que mãos poderosas, destemidas e valentes a tomariam para si, tal qual um marido toma sua noiva virgem na noite de núpcias, primeiro com cuidado, depois com paixão. E ela se entregaria a ele tal qual uma noiva virgem, primeiro com medo e receio, depois com volúpia e alegria.
E seriam um só nesse momento, uma só alma pulsando, pensando juntos, um sendo parte do outro, até não restar uma só cabeça sobre os ombros dos inimigos.
A espada saberia esperar.
Sempre fora paciente.
Ela era eterna, como as pedras que lhe enfeitavam o punho.
O tempo dos homens não era nada para ela.
Dormiria, sonharia e seria recompensada.
Seu senhor estava vindo.

E nunca mais sentiria a dormência que as águas gélidas do lago provocava.

Roberta Nunes
em algum dia de maio de 2008


Mordred´s Song - Blind Guardian

“Nothing else,

but laughter is around me
forever
more
no
one can heal me
nothing can save me
no
one can heal me
I've gone beyond the truth
it's just another lie
wash away the blood on my hands
my father's bloodin agony we're unified”



“Nada mais

Senão risadas me cercam
Para sempre
Ninguém pode me curar
Nada pode me salvar
Ninguém pode me curar
Eu fui além da verdade
É só mais uma mentira
Lavo o sangue das minhas mãos
O sangue de meu pai
Na agonia nós estamos unificados”
...

23.4.08

Oração a São Jorge


"Eu andarei vestido e armado
com as armas de São Jorge
para que meus inimigos,
tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me vejam,
e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,
cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça,
Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino,
protegendo-me em todas as minhas dores e aflições,
e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder,
seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,
defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
e que debaixo das patas de seu fiel ginete,
meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós."

27.3.08

Ode à Aphrodite

"Aphrodite em trono de cores e brilhos,
Imortal filho de Zeus, urdidora de tramas!,
Eu te imploro: a dores e mágoas não dobres,
Soberana, o meu coração,

Mas vem até mim, se jamais no passado,
Ouviste ao longe meu grito, e atendeste,
E o palácio do pai deixando,
Áureo, tu vieste,

No carro atrelado: conduziam-te, rápidos,
Lindos pardais sobre a terra sombria,
Lado a lado num bater de asas, do céu,
através dos ares,

E pronto chegaram; e tu, Bem aventurada,
Com um sorriso no teu rosto imortal,
perguntaste por que de novo eu sofria,
E por que de novo eu suplicava,

E o que para mim eu mais quero,
No coração delirante.
Quem de novo, a Persuasiva
Deve convencer para o teu amor? Quem,
Ó Psappha, te contraria?

Pois, ela, que foge, em breve te seguirá;
Ela que os recusa, presentes vai fazer;
Ela que não te ama, vai te amar em breve,
Ainda que não querendo

Vem, outra vez – agora! Livra-me
Desta angústia e alcança para mim,
Tu mesma, o que o coração mais deseja:
Sê minha Ajudante - em - Combates!


Safo de Lesbos

À Morte


Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!

Florbela Espanca

(1894-1930)

Nota: Último poema escrito por Florbela Espanca, no dia 8 de dezembro de 1930, na sua última noite com vida.
Foi levada pelo suicídio.

3.3.08

"Vou deixar-te levar-me até à fecundidade da destruição.
Por isso me atribuo um corpo, um rosto e uma voz.
Eu sou-te como tu me és.
Cala o fluxo sensacional do teu corpo
e encontrarás em mim,intactos,
os teus medos e as tuas penas.
Descobrirás o amor separado das paixões e eu descobrirei as paixões privadas de amor.
Sai do papel que te atribui se descansa no centro dos teus verdadeiros desejos.
Por um momento deixa as tuas explosões de violência.
Renuncia à tensão furiosa e indomável.
Eu passarei a assumi-las."

Anaïs Nin - A Casa Do Incesto

13.2.08

A Semente

A náusea vinha em ondas, e o esforço para segurar o vômito era enorme.
Sentia-se esgotado.
Estava molhado, cansado, com o corpo todo dolorido, a garganta inchada, a cabeça pesando uma tonelada.
Achou que seria melhor vomitar logo de uma vez, e se livrar daquilo.
Mas, afinal, ele prometera se segurar.
Sabia que, se expelisse o que tinha dentro de si, bem, nada de bom poderia acontecer.
A travessia foi difícil, o mar estava agitado, as algas anormalmente desenvolvidas devido à poluição, atrapalhavam a viagem, e as águas-vivas estavam terrivelmente agressivas, e agiam como se não reconhecessem o seu toque.
A viagem foi estranha, mas, no íntimo, ele sabia que nada poderia estar normal àquela altura do campeonato.
Segurou mais uma vez o regurgito e se pôs de pé.
Era um homem, dois braços e duas pernas, olhos escuros, com roupas encharcadas, cabelos escorridos, molhado de mar, que havia atravessado todo o Oceano Atlântico, à nado, para chegar em algum lugar no Brasil.
Bizarro, não?
Mais bizarra ainda foi a paisagem!
Praia Grande, São Paulo.
Em pleno mês de fevereiro, verão, alta-temporada e... deserta!
Como o resto das praias do estado, do país, do mundo.
Ninguém à vista, e nem fora da vista.
Estava deserto.
Morto.
Estagnado.
Se decompondo, lentamente.
O silêncio esmagador!
O mais estranho de tudo era que o que estava no seu estômago, e que precisava ser vomitado,
salvaria um mundo inteiro!
Ele trazia A Semente.
E só Deus saberia o que poderia nascer daquilo...

Roberta Nunes
13/02/2008
o que será de mim,
sem você?

7.2.08

a Enterprise













A construção da nave original, NCC - 1701.

Vamos ver o que esse filme vai apresentar...

Sou fã da série clássica, mesmo com todos aqueles efeitos toscos.

30.1.08

Poema 230

O amor é o cemitério populoso da podridão.
O leite derramado dos heróis.
Destruição de lenços de seda pela tempestade de pó.
Carícia de heróis vendados
presos nos postes.
Vítimas de assassinatos aceitas nesta vida.
Esqueletos trocando dedos e juntas.
A carne trêmula dos elefantes da gentileza
sendo despedaçada pelos abutres.
Concepções de rótulas delicadas.
Medo de ratos espalhando bactérias.
A Fria Esperança da Gólgota pela Esperança do Ouro.
Úmidas folhas de outono contra o casco dos barcos.
As delicadas imagens de cola do cavalo-marinho.
Morte por longa exposição à desonra.
Seres assustadores encantadores ocultando seu sexo.
Pedaços da essência de Buda congelados e fatiados microscopicamente
em morgues do norte.
Pômos do pênis a ponto de semear.
Mais gargantas cortadas que grãos de areia.
Como beijar minha gata na barriga.
A suavidade de nossa recompensa.

Jack Kerouac
(escrito total e completamente sob o efeito de morfina)

28.1.08

Pretty Woman

Tá, eu sei, não existe nada mais brega do que esse filme.
Pior ainda, é gostar dele.
Um continho de fadas bem sem-vergonha.
Mas, eu gosto.
E, como a mocinha Julia Eca Roberts, eu fico esperando sim, um milionário Richard The Best Gere.
Não, eu não admito isso publicamente, numa mesa de bar, por exemplo.
Só de ouvir a música do Roy Orbson já fico toda arrepiada.
E a cena do piano?
PUTA QUE O PARIU!
Droga.
Só falta agora eu contar que chorei quando assisti Cidade dos Anjos...

23.1.08

Cirurgião

Vou cutucando aqui e ali, abrindo buraquinhos com a ponta de um bisturi cego, que encontrei na sarjeta.
E vou abrindo esses buraquinhos com pinças enferrujadas, e fuçando lá dentro como faria um cirurgião-barbeiro do século XV.
A pele, deliciosamente elástica, se abrindo, lasciva, aos meus dedos curiosos e desesperados.
As coisas se acumulando nos baldes e bacias ao meu redor, folhas soltas, um pôr-do-sol, aquele dia na praia, os ruídos de uma cidade ao amanhecer, a pestilência de um sorriso cansado, a maldita prosa que insiste em ser poesia, manca e corcunda, a virgindade perdida sabe-se-lá-onde, você.
E, quanto mais eu penetro (vai, com força!) naquela podridão, os vermes também surgindo, e sem se incomodar com a minha intromissão, me convidam para o baile e, depois o banquete.
Perfeitamente!
Enquanto o fel, escorrendo das feridas abertas, empoçando no chão.
Enquanto o sangue, coagulado e talhado, feito queijo negro, prato principal dos vermezinhos gordos.
Enquanto as fezes, acumuladas há séculos, empesteiam o ar.
A puta parada ali, no canto, rindo da sujeira respingada nas paredes e teto, e dos meus braços, lambuzados até os ombros.
Seu riso desdentado e a baba verde, virulenta.
Seus olhos vazios e as meias rasgadas.
Seu ventre vazio e a alma rasgada.
A espectadora (escárnio?) dessa dissecação sacra.
Busco o prazer nesse seu ânus arregaçado, puta, já com as pregas arrebentadas pelo meu estupro contínuo.
Ah! A antiga viscosidade ainda lá, bem no fundo...
O prazer da areia entrando pelos poros.
E meu gozo lá, nos seus intestinos.
Minha porra quente bem onde você sempre gosta mais, e grita mais alto, a puta de olhos vazios.
Me passe agora, sua vadia, a linha e a agulha, pois preciso costurar os retalhos de mim mesmo, e depois beijar essa sua boca, escancarada num grito mudo e perpétuo.
E limpe essa sujeira.


Roberta Nunes
23/01/2008

18.1.08

Pústula

Ah, sim!
A pústula!
Nojenta, cheia de pus esverdeado e mau-cheiro.
Uma coisa horrível de se ver.
Uma cicatriz mal costurada que, ao menor movimento, cospe podridão.
É assim que te vejo hoje.
E percebo como é pervertido o prazer de lamber essa ferida, travestida de amor.
As formigas já invadindo nossa cama, e as moscas, ah! as moscas! tão fiéis aos cadáveres em decomposição, fazendo sinfonias ao nosso redor.
Larvas gordas e brilhantes nadando no nosso suor azedo.
Baratas cascudas limpando os cantos das nossas bocas babosas, restos de vinho e beijo.
Restos de restos.
Fios de cabelos nas fronhas imundas, cheias de manchas mitológicas.
Olho em volta e vejo a degradação: paredes descascadas e mofadas, tapetes rotos, um prato com restos de refeições debutantes.
Insetos e você.
Aranhas se fartando...
Who wants to live forever?*
Who wants to love forever?*
Não quero ser enterrado vivo num túmulo que nem é meu.
Nessa lápide, meu nome não está escrito, e as datas não correspondem ao meu mapa astral (que eu nunca fiz).
O som oco dos seus ossos descalcificados, o rangido das suas articulações!
E os livros desfolhados, jogados sobra a nossa cama, uma colcha de núpcias.
E as folhas secas das árvores do cemitério, que é nosso vizinho mais querido, invadem nosso universo de gemidos e gritos agonizantes e revirar de olhos e arrastar de correntes.
Beijo pois, pela última vez, essa boca desdentada.
E sinto, pela última vez, esse hálito morto invadir meus pulmões.

Roberta Nunes
18/01/2007



* Quem quer viver para sempre?

* Quem quer amar para sempre?

Queen - Who wants to live forever

tema do filme Highlander

17.1.08


preciso comentar???

16.1.08

Raduan

um texto.
topei com ele hoje, e não pude evitá-lo.

AÍ PELAS TRÊS DA TARDE
(para José Carlos Abbate)

Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em idéias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo "ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pêlo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assome em seguida no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado) e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas lá no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá ao fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e, com um impulso do pé (já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo.

Raduan Nassar
Texto extraído do livro "Menina a caminho", Companhia das Letras - São Paulo, 1997. pág.71.

15.1.08

quem sabe um dia...

eu consiga me desligar, me desprender, me desassociar.
quebrar as correntes, e me manter distante.
indiferente.
a dor não me atingiria.
e talvez, só talvez, as coisas fossem mais sutis.

10.1.08

O Foco

Perder o foco não é algo assim tão simples.
Exige um nível de "desconcentração" alto demais.
Ok.
Você está certo.
Essa é a impressão.
Mas, no fim das contas, não é falta de foco, é só atropelo.
Urgência.
Faço isso o tempo todo.
É um problema, eu sei, não existe jeito de uma pessoa assim ser levada à sério.
Eu não ligo.
Nunca levei isso de ser levada à sério, à sério.
A vida é curta demais.
Temos muito o que viver.
5, 6, 7, 20.
Não importa.
Só quero passar a noite, e dormir no teu braço.

3.1.08

meus amigos, eu e vocês em 2008


porra!
tive que comprar um celular novo depois do natal.
e tive que fazer depilação.
e sempre menstruo em final de mês, ou quando entro num trampo novo, ou quando tenho aquele encontro com um cara legal.
não que eu esteja reclamando.
o celular é legalzinho, embora eu ainda não saiba mexer nele, a depilação só dói na hora e, depois que tive a minha filha, A-D-O-R-O menstruar, e o tal cara legal não se incomodou....
já não reclamo mais, feito velha desocupada, ou melhor, feito velha incomodada com a felicidade alheia.
e viverei assim, por opção minha:
opção: tenho poucos amigos, mas os que tenho, são meus amigos mesmo.
opção: tenho poucos problemas.
opçãp: tenho poucas pessoas pra mentir pra mim, ou pra se ocupar da minha vida.
opção: fico com a minha família, filha, pais, irmãos.
opção: meus desejos só serão compartilhados com quem quiser compartilhá-los sinceramente.
opção: as suas conquistas serão aplaudidas por mim, de todo coração.
opção: se você quiser me beijar, ponha pra tocar uma música boa, e me beije.
opção: silêncio? nunca! nem que seja só som de respiração ofegante.
opção: nunca mais sentir aquela sede terrível! da próxima vez, eu levo a cerveja...
opção: não quero me casar.
opção: vou escrever meu livro.
opção: muito, mas muito beijo na boca!
opção: um poema de Charles Bukowski

Se vai tentar
siga em frente.

Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação...

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.

é isso aí, pessoal...
ps: adoro essa imagem!
ela já apareceu por aqui antes, e em outros blogs também.
fala sério: é ou não é um puta pega?

26.10.07

o processo não pára nunca.
a mente sempre escrevendo um conto, um poema, um livro.
a mente sempre trabalhando, ruído de teclas.
furiosa.
tpm.
intensa.
medíocre.
legal, até.
quem sabe?
as letras dançando no universo.
interno.
útero.
hora de ir.
hora de amar.
hora do porre.

5.9.07

Cities in dust

Cada passo ressoando nos ouvidos.
Ele ia andando, cauteloso.
A chuva agora não passava de uma garoa irritante.
Não deu trela pro trombadinha que passou por ele.
Perto demais.
Perto o suficiente para saber que dali, bem, não tiraria nada.
Nunca se cansava da cidade.
Mas, merda, dessa vez, fora longe demais.
A filha do Chefe.
Clichê.
Como naquelas histórias noir que tanto gostava de ler.
Sam Spade.
Chandler.
Até Sin City.
Gostava do clima sombrio, das histórias sangrentas, do tédio, do fatalismo.
Tudo tão pungente como na sua própria vida.
Arremessou a garrafa long neck contra um carrão importado.
Crack.
Belo arremesso.
Belo estrago.
O berro do alarme assustou um enorme gato preto, que correu e cruzou seu caminho.
Bang.
Odeio gatos.
Sentiu os lábios ainda queimando, o corpo febril.
Ainda podia sentir o perfume da garota, estava na sua roupa, nas suas mãos, nos pelos crespos do peito.
Foi só uma hora.
Tempo suficiente para enlouquecê-lo.
Tempo suficiente para colocar sua cabeça à prêmio.
Ele sabia que toda a escória da cidade estaria em seu encalço.
Mais cedo ou mais tarde toparia com algum antigo companheiro.
Teria que se defender.
A garota maluca.
Ele poderia tê-la amado.
Poderia ser o novo Chefe, algum dia.
Ele estava tão doido de tesão que nem percebeu o quanto ela estava drogada.
O apartamento todo mergulhado num caos, comprimidos por todos os cantos, garrafas vazias pelo chão, cigarros de maconha, heroína, meu deus!, o suficiente pra colocar alguém atrás das grades por umas três encarnações consecutivas!
Ela queria silenciar as vozes.
Meteu uma bala na cabeça.
E usou a arma dele.
E só então se deu conta de que sua camisa estava manchada de sangue.
Tinha até uns pedacinhos de ossos e miolos.
Sentiu náuseas, apesar de já ter visto isso centenas de vezes.
Ele era um sobrevivente.
Já vira, ouvira, fizera coisas terríveis.
Já lutara em guerras.
Já matara muitas vezes.
Talvez, fosse melhor não se esconder.
Talvez, fosse melhor não abandonar a cidade que era seu lar.
Talvez, sobrasse algo dele para ser enterrado.
Chutou uma latinha de alumínio com certa surpresa, já que eram artigo raro nas ruas, e simplesmente continuou caminhando, sem rumo.


Roberta Nunes
05/09/2007


"We found you hiding we found you lying
Choking on the dirt and sand
Your former glories and all the stories
Dragged and washed with eager hands"

"Nós encontramos você esconde
Nós encontramos você mente
Sufocando na sujeira e na areia
Suas glórias anteriores e todas as histórias
Arrastado e lavado com mãos ansiosas"

Cities in dust
Siouxsie & The Banshees



31.8.07

é só varrer o lixo para debaixo dos...

Tapetes da vida.

Hoje, acho que fui cruel.
Direta demais.
Incisiva demais.
Ele disse adeus.
Eu disse foda-se.
Leva a porra do tapete com você.
Não tomo vinho, a garrafa virou caco na calçada do vizinho.
Prefiro conhaque. Gosto pior, ressaca pesada. Desperta os sentidos.
Acorda pra vida, cacete!
Limpar o sangue desse maldio tapete...
E as marcas do colchão.
Seu cheiro carunchado.
Pelos grudados no sabonete.
Camisetas de rock, panos de chão.
Último volume, Siouxie, baby...
Garrote na garganta, e chuveiro pingando.
Mãe, de onde vem o trovão?
Mãe, porque o sangue é vermelho?
Seja luar, meu amor.
Espalhe-se pela noite.
Escorra pelo ralo da banheira, e corra pelas sarjetas.

Roberta Nunes
01/06/2005

"Quem sabe depois desta existência
Renascerei - para duvidar ainda?!... "
( O devanear de um cético - Bernardo de Guimarães )

19.7.07



Napoleão Bonaparte.

Um cara comum, que assumiu um país sedento por revoluções.

Um herói.

Um déspota.

O que ele representa pra você?

29.6.07

Citações

"O unico erro de Deus foi nãoo ter dado duas vidas ao homem: uma para ensaiar, outra para atuar" (Vittorio Gassman)

"A verdade é sempre o álibi perfeito" (W. R. Burnett)

"Tudo que não é proibido e obrigatório" (Curzio Malaparte)

"Todo homem tem o sagrado direito de ser imbecil por conta própria" (Ivan Lessa)

"Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la" (Carlos Drummond de Andrade)


Aí estão algumas citações ótimas, verdadeiras pérolas.



"Arranca-me do peito o coração exangue,
Que hei-de dar-te, em troca, os restos do meu sangue,
Para o negro festim da tua fome escura."
( Prece - José Duro )

27.6.07

A morte como sobremesa

Uma forma de mostrar amor, é morrer.
Eu acredito.
Mas morrer de um jeito bem bacana e romântico, como caminhar de encontro a uma lua cheia enorme e amarela, refletida num mar calmo e límpido.
Ou ainda num barato daqueles, numa viagem de drogas e bebida e troca de carícias e loucura sexual, numa orgia, línguas e mãos e secreções pra todo lado.
Na verdade, qualquer modalidade de morte serve, desde que tenha aquele toque teatral e exibicionista, uma carta explicando direitinho as coisas e se despedindo, uma rosa vermelha e umas gotas de cera de vela pra completar o drama.
Eu ainda não atingi esse nível de sensibilidade.
Claro que às vezes faço uma roleta-russa na rua, atravesso sem olhar só pra ver o que acontece, mas nunca me aconteceu nada.
A minha visão romântica da vida se limita a chamar essa porra de privada coletiva em que vivemos de “latrina”, e os montes de merda que bóiam nela de “dejetos”.
Espero ter estômago para, um dia, ter uma vida de comercial de margarina.
Acho que é isso que esperam de mim, expectativas de vida comuns, iguais aos outros.
Pontos de vista do que é melhor, maior e mais bonito.
Caralho, como isso cansa!
Acredito que é lícito (ops, outra palavra bonita...) desejar um belo porre, e encarar bravamente a ressaca que vem no dia seguinte.
Quem sabe, depois de uma noite de amnésia, eu não dê a luz a um avatar?
Quem sabe a morte me sorria, e me mande continuar andando, já que lá na frente, eu vou topar com ela de novo?
Ninguém está isento da solidão.
Ela é como a sombra nos dias ensolarados na praia.
Uma chama azul, gélida, daquelas que queimam efetivamente.
E transformam os sonhos em espectros, fantasmas que assombram os armários vazios de casas vazias.
E a morte romântica não basta para aliviar o amargor do xarope pra tosse.
E a vida cotidiana teima em tirar da ordem as rimas da poesia escrita com tanto sangue.
Me liga, amor, e vou pra junto de você, nem que seja por poucas horas.

.
.
.
.

um certo homem interessante, com o olhar direto e moreno, sorriso assim, meio de lado, uma seriedade de Tuareg e andar de Dom Juan.
porte ilegal de pecado.
pudesse, me afogaria nessa tua boca salgada, pararia o trânsito, e que se danassem as buzinas invejosas do beijo enlouquecido, a língua dardejando, num ritmo de tambores e corpos, braços e força.
noite de lua crescente.
seus pelos suados, enroscados nos meus, um mar de suspiros e mordidas.
noite quente de inverno.
um sussurro numa língua estrangeira, ah, o gemido numa linguagem universal.
quero seus dentes.
coxas, seios, nádegas.
o espelho reflete seu olhar faminto e curioso.

.
.
.
.

Roberta Nunes
27/06/2007

21.6.07

E o tempo passa



A terrível sensação de tempo desperdiçado.
Meu amor me beija.
Com vontade.
Com amor.
E eu sei que ele está comigo.
Quando?
O amargor da insatisfação.
Não sou eu!
E o gemido ficou entalado,
o gemido de dor e separação.
O punhal erguido,
e as costas sempre disponíveis,
braços abertos.
A boca sempre pronta para o beijo,
para o esporro,
para o grito.
O gosto do gozo e do fel.
Uma viúva-negra no travesseiro.
Um pêlo no sabonete, que vou guardar pra fazer mandinga, quem sabe...
Café da manhã com você,
geléia
e manteiga (que você queria usar pra fazer sacanagem).
Claro que eu te amo.
Claro que eu não vou tatuar seu nome.
Claro que você me ama, e tudo continua igual.
Vou tomar meu porre,
e te afogar numa dose dupla de vodka.
É isso que eu chamo de amor.
Pra sempre.
É tempo demais, baby.
Não tenha dó de mim.
Quando eu disser que dói, mete o punhal até o cabo.
A melhor maneira de dizer.
Um cansaço.
Cada vez como se fosse a última.
Sem boleros, nem franjas.
Uma dor tão aguda.
Sobrevivência.
I will survive
hey, hey.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára pra que você o conserte.

Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar...
Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe...
Depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante a vida!"
Manual de Sobrevivência - Willian Shakespeare


imagem do filme "Transpoitting"

14.6.07

Way



tenho, pra sempre, eu acho, o gosto de uma leve insatisfação na boca.
um resquício de beijo que ficou, e que nenhum outro se compara.
o fato é que não consigo lembrar.
one, quando, como.
se foi nessa, ou em outra vida.
uma busca coonstante me leva sempre a todos os lugares, e bocas.
testo os sabores, misturo com os aromas.
os cheiros de vida e sacrifícios e experiências.
os cheiros e gostos que o amor pode trazer.
despertar os sentidos, trazer à tona os sonhos mais estranhos.
não poderia deixar de ser.
essa busca é o que move a humanidade, eu acho.
e, claro, eu não pderia escapara dela.
tenho paixão.
e tenho medo de provar minha capacidade de amar.
e tenho sempre que mostrar que isso não é da minha natureza.
hoje o dia vai ser longo, e a noite me espera com mais uma bebida e estrelas.
e, quem sabe, um beijo furtivo no canto da boca de alguém, só esperando pelo meu chamado.
e a poesia não tem sido satisfatória, sempre parecendo incompleta e cansativa.
o trânsito segue, indiferente e o ruído, incessante.
procuro pelo beijo.
pela boca.
pelo copo.
uma taça, talvez, um belo cálice de prata.
um devaneio insano.
comum da minha natureza.
e o sorriso vem, com olhos cobertos, enrolado num cachecol roxo, nesses dias malucos de outono.

Os mastins negros vão ladrando a lua...
O Cairo é de uma formosura arcaica.
No ângulo mais recôndito da rua
Passa cantando uma mulher hebraica.
O Egito é sempre assim quando anoitece!
Às vezes, das pirâmides o quedo
E atro perfil, exposto ao luar, parece
Uma sombria interjeição de medo!
Augusto dos Anjos

4.6.07

já que não dá pra parar...

eu volto.
e não ligo se você vai ler.
ou se vai comentar.
sempre digo isso.
e é o suficiente pra me convencer.
outra hora coloco uma imagem bacana.
e rio do frio que a saudade crava sem dó no meu coração relativamente são.
.
.
.

8.2.07

As pedras no caminho


Caminhar é fácil.
Um pé, depois outro.
Passo por passo.
Um de cada vez.
Tenho me rasgado.
Cortado a pele com lâminas finíssimas, exigentes.
Tenho sufocado meu gemido com mais força.
Tenho abafado meu grito com mais sadismo.
Cutelos enfeitam as paredes da minha mente.
Sombras estranhas nos vãos das portas...
A chuva cai fininha, molhando os cabelos, escorrendo pelo couro da jaqueta, tornando o peso do mundo ainda maior.
As botas enlameadas, e as folhas encharcadas grudando em tudo.
O gosto da chuva é ácido, acre, doce.
Os cheiros da rua me trazem você, graxa, fumaça, asfalto, pneus.
Não vejo a hora do inverno chegar, com dias claros e noites congelantes, tirar meu cachecol roxo do armário, e caminhar como se fosse a coisa mais correta a fazer.
Hoje é um dia qualquer, e você não vai estar no bar à noite, e vou ler o seu nome rabiscado na mesa, e a cerveja será como um alento, uma carícia, um sopro, pra me lembrar sempre do seu hálito durante as sessões de amor urgente e enlouquecido.
Assuntos inacabados, conversas descabidas, falo sobre generalidades, quando queria falar de amor.
A língua passeia pelos lábios arroxeados , beijados e mordidos pela boca quente de outro.
Afogo você em cada copo.
Te sangro em cada suspiro.
Exorciso o mal que brota em mim quando ouço seu nome.
Vou pro inferno?
Talvez.

Roberta Nunes
08/02/2007



Silent
Paradise Lost

After all wars
We lie, as shelter falls
The world is but hell
A place darkened out by time
Submit to the fall
Live in peace for years
Turn back the hands of time
Light shines before
As lives are torn
Morals slow decline
We'll live in cold fear
Until we lay dead
Silent our pleas
Search for the end


Silencie

Descansamos após todas as guerras
Enquanto o abrigo cai
O mundo é um inferno
Um lugar sombrio fora do tempo
Renda-se à derrota
Vivo em paz há anos
As luzes brilhavam antes
A vida se esvai
A moral se declina
Vamos viver num frio medo
Até morrermos, silencie nossos apelos
Procurando o fim

.

.

.

30.1.07

Ainda sou fã...


das boas histórias de vampiro.
Mas, isso é raro hoje em dia.
Amanhã, posto um texto, e coloco o blog no ar de vez.
.
.
.

Ok, vocês venceram

Esse meu blog pequeno, despretensioso e que era só meu, vai ser aberto ao público.
É isso aí.
Meus textos estarão aqui, disponíveis (somente para leitura, hein galera?) , assim como as imagens e os links legais que eu localizar por aí.
Se os visitantes vão gostar, não sei.
Também, não me importo muito.
Isso aqui continua sendo um espaço pessoal, parte integrante de mim.
Beijos a todos.
Ro, A Profana


Humm, posso te ligar a qualquer hora?

(Peter Steele - Type O' Negative)

2.9.06

abismo


acho que estou apaixonada.
e isso não me parece bom.
por enquanto...

1.9.06


"Dói te libertar
Mas você nunca vai me seguir
O fim da gargalhada e das mentiras suaves
O fim das noites que tentávamos morrer
Esse é o fim"

the end
the doors

12.8.06

tá sendo tesão puro escrever com os desterrados.
uma vez por semana?
tudo bem.
adoro.
adoro aquele pessoal.
pena que não conheço as meninas e o Ciro pessoalmente.
mas, isso não é uma coisa assim tão difícil de resolver.
não existe distância que não possa ser vencida.
não é isso?
fui.

Linear

me morde?
claro.
quando eu pedir?
todas as vezes.
sempre?
por todas as vidas.
gosta do meu cabelo?
do seu cheiro,
tenho gosto de quê?
de loucura.
mas, e o telefone?
deixa tocar.
e, com que roupa...?
nua, baby.
amor?
hum?
me morde?
sempre...

9.5.06

Uma chance, um motivo

(postado por Roberta Nunes, e só.)

Anda!
Não olha pra trás, não.
Não diga mais nada.
Só sinta o cano frio na sua nuca, e veja sua vida passando diante dos seus olhos.
Sinta o amor num único flash.
Me mostre os sonhos não realizados.
Se arrependa do que fez, e não fez.
Já mandei andar, porra!
O penhasco é logo ali, e meu dedo está dormente.
Veja o pôr-do-sol...quantas vezes você o ignorou?
Quantos beijos nos seus filhos você deixou de dar?
Cuidado!
Não quero que você se machuque, pelo menos não ainda, não antes da hora.
Pode parar aí mesmo, e olhe para o mar lá embaixo.
E sinta o cano da minha arma.
Ninguém sobreviveria a uma queda dessas, certo?
E ninguém sobreviveria a um tiro na nuca, não é?
Um motivo.
Só um motivo pra eu não te matar.
Sem choro, nem baba, nem mijar na calça vai me comover.
E você só tem uma chance, amigo.
Quem sou eu?
Pergunte pra sua consciência.

ps.: esse texto que eu adoro, foi escrito em 26/04/2005, e ganhou até uma versão em inglês feita por um amigo muito querido, e ficou perfeita pra ser gravada pelo Type O Negative, ou pelo Paradise Lost...

15.10.05

A Sede

Busquei em cada rua.
Bebi de todos os copos.
Traguei todas as fumaças.
As luzes dos postes, nas esquinas.
Parada sob a lua,
uivando e enlouquecendo,
gritando palavrões e jurando de morte.
Vendo o sangue escorrendo pela sarjeta,
indo em direção ao ninho dos ratos, num festim e tanto!
E onde está o vampiro, numa hora dessas?
Onde está a língua ávida?
Onde estão os dentes afiados e precisos?
E a sede insana, turva e desesperada...
É, é você que eu procuro.
É seu sangue que busco, na verdade,
e é ele que escorre pelas ruas,
enchendo os bueiros do meu caminho,
das minhas estradas esburacadas, que percorro sozinha.
A música pulsando alta,
ensurdecedora nos fones plugados direto no cérebro,
a desordem gritada e mantida,
misturada ao amor e à fome.
E minha caminhada em busca de você continua, incerta, incoerente.
Uma cartomante me disse que estávamos longe um do outro,
que nossos sangues não se misturariam,
que saliva e gozo não mais seriam provados,
não haveria mais alimento pra mim.
Não chorei, é certo.
Só estive faminta.
E cortei os pulsos, e sorvi o que saia dali,
e ainda não sei se era alimento, ou se era desespero.
E seu beijo, naquele dia.
E seu corpo, naquele dia que nascia cinza,
e o letreiro vermelho-neon,
e o sangue no chão, misturado à vodka.
Os tambores anunciando guerras,
e as virgens caminhando para o sacrifício,
e o hardcore pulsando dentro da minha mente
depravada e corrompida,
sempre buscando,
o dia que já foi.

Roberta Nunes
16/10/2005

1.10.05


Certo.
Ok.
Beleza.
Você venceu.
Me trouxe até aqui, e me deu seus motivos.
Não entendi bem seus argumentos, mas ouvi tudo.
Era tudo verde na minha mente, enquanto você dizia que deveria ser azul.
Eu queria flores, e você dizia que os frutos seriam melhores.
Alimento e sobrevivência...
Beleza e poesia, afinal.
E a tristeza te consumindo, numa roda-viva sem fim!
Fui te encontrar lá no parque, num dia de sol, pra te dizer que seria noite de lua cheia, e você apenas sorriu, como a gente sorri pra uma criança tola.

24.9.05

Ela caminhava.
Vinha pela rua, e tristeza resoluta no olhar.
Tinha um porte de princesa, altiva e segura, com brilho de pérola nos dentes, e orgulho estampado no sorriso, mas um quê de solidão no brilho do olho.
Não era ninguém, nada importante, nem indispensável na vida de quem quer que fosse.
Não se sentia dona de nada.
Era só, e só se mantinha, pra não doer depois, dizia.
Mas, lá no íntimo, ainda sonhava.
Queria um braço forte em torno da cintura fina, queria um beijo apaixonado, queria ser olhada como única, um tesouro, o sol.
Queria ainda sentir, sim, o peso de um homem sobre o corpo magro e bem-feito, entrelaçar as penas em pernas musculosas, emaranhar os cabelos em cabelos cacheados como os dela, e gemer junto com ele num dueto perfeito, uma vida inteira suspirada e misturada à saliva, num segundo de vida-quase-morte, em camas-terremotos.
O tempo, inimigo cruel e desumano, tirou essas coisas dela, os homens passaram por sua vida, e continuaram seus caminhos, buscando novas carnes e novas aventuras, e ela sorria seu sorriso de pérolas brilhantes, e sorria seu olhar triste.
E, assim caminhava Rita, mulher e linda, afilhada de Iemanjá, devota de grandes divindades e santas, pelas ruas de uma cidade qualquer.
Uma mulher comum, como tantas que cruzamos por aí, com seus amores e sorrisos complacentes, e cabelos ao vento, e lágrima que não escorria pelo rosto marcado pela vida, mas brotava direto da alma, do ventre, do vazio da solidão.

Roberta Nunes
25/09/2005

p.s.: Pessoal, esse texto é uma pequena experiência, num estilo diferente do meu habitual.
beijos a todos.

17.9.05

...e no princípio...

O Começo.
Pois é.
Cara, como isso é difícil!
Quer dizer, eu aqui, sendo lida por vocês.
Ok, pedante, eu sei.
Mas, é isso mesmo.
Eu vejo seus olhos ávidos, ah, sim, ávidos, exatamente como os meus ao ler neste espaço.
Lendo estas linhas, vocês procuram algo?
Emoção, talvez?
Lascívia, quem sabe?
Uma frase que lhes cause algum tipo de sensação inesperada...?
Identificação?
Pode ser.
Pode ser que eu consiga isso, é o meu objetivo, sabem?
Não existe texto, poesia, prosa-poética ou crônica, "sem pretensão".
E é ainda mais difícil falar sobre isso, já que é um assunto tão batido!
Um ponto de vista é sempre UM ponto de vista, não?
Eu escrevo há pouco tempo, embora leia desde sempre. Uma auto-didata compulsiva por leitura ( Dóris, também li muita bula de remédio e rótulo de xampu), viciada em conhecimento e amante de vários estilos literários e autores diversos.
Vocês me perguntam: o que isso tem a ver com a gente? o que isso tem a ver com seu texto de domingo n'Os Cronistas?
Nada, talvez.
Mas, acho que tudo, na verdade.
Eu achei que seria delicado começar me apresentando, dizendo quem sou e como fiquei assim.
Muito prazer, meu nome é Roberta Nunes, e postarei aqui aos domingos, faça chuva, sol, com ou sem vitórias do timão.
Um abraço a todos.
Ufa!

29.7.05

Ressaca literária

Sabem, ando com vontade de me suicidar.
Não é nada pessoal, é só cansaço.
Antes, eu tinha as letras.
Lindas, perfeitas, verdades.
Agora, não passam de lixo fantasioso e hipócrita.
Chega a ser piada!
Noventa por cento de baba-ovos de nove por cento, e um por cento que presencia essas cenas patéticas e que precisam vomitar, pra não morrerem de tédio.
Como eu vou morrer em breve, não ligo mais.
Sofro, sim, pelos pobres da fatia de um por cento, que têm suas caixas de entrada entupidas de mensagens cretinas, de propostas indecentes de degradação.
Literatura usada para inflar egos.
Literatura usada como pretexto para línguas nas botas.
Pessoas ditas inteligentes, com bons empregos, boa formação, que não se dão ao trabalho de perceber o que sua escrita pode criar, as perspectivas em mentes um pouco mais suscetíveis.
Lixo com pontuação obscenamente correta, gramática perfeita, ortografia corrigida automaticamente pelo editor de textos.
Tempos verbais irreais, cansativos e bastante comuns, infelizmente.
Tanto pra ser escrito fora da Terra dos Contos de Fadas.
Ei, você, Peter Pan cresceu. E mandou um recado: “Foda-se, e me deixe em paz.”
Tenho medo da dor, preciso encontrar um método eficaz de morte. Rápida e indolor.
Só vou lamentar os livros INCRÍVEIS que ainda não li.
O resto é lixo. Adaptações toscas de histórias fantásticas. Linguagem fantasiosa do mal. Purpurina no sangue da virgem. Romance mela-cueca para mulheres mal-amadas, mal-casadas, mal-elas-mesmas. Bichas enrustidas punhetando em frente ao espelho, olhando suas próprias caras. E escrevendo sobre isso!
Deusinhos de merda, adorados por merdinhas menores.
Talvez, eu peça para ser enterrada com os livros meu favoritos.
Sinto o gosto amargo da ressaca literária.

Roberta Nunes
28/07/2005

21.7.05

Ontem

Sorri para a lua.
Ergui meu rosto, e sorri.
Foi triste, na verdade.
Como um quadro de Rembrant.
Não havia lágrima, escorrendo.
Só na alma.
Lavada?
Não, lavada não.
Não sei pra onde foi a sujeira.
Olhei debaixo do tapete, e não achei nada.
E saí corerendo
pela noite clara.
Tinha meus livros, não tinha?
E cerveja gelada me esperando em casa.
E frase-clichê-lugar-comum variando na mente.
Terrorismo literário pulsando na minha veia pensante.
E os dias ensolarados de inverno, me permitem
óculos escuros e sobretudo e cachecol roxo.
Meus amores.
São rostos estampados na minha retina.
Cheiros que trago comigo.
Acho Rembrant muito triste.
A obra dele.
Olhares tristes e vagos.
Sorrisos pálidos.
Alguém me disse um dia que havia sol no meu sorriso.
E a noite foi assim,
perdida nos olhares pintados por Rembrant
e perdida nas linhas da minha última e derradeira paixão.
Estou cansada e gelada,
mas tenho muito pelo que brigar, ainda.
Imagino seu olhar tão perdido quanto o meu.

Roberta Nunes
21/07/2005

15.7.05

Silêncio Enxaqueca

Hoje, não quero falar.
Tenho o direito do silêncio.
A dor de cabeça me permite esse silêncio.
Na verdade, ele exige.
Nem o barulho das teclas...?
Esse, eu suporto.
Não suporto ouvir vozes, a minha voz. Mas ler, vá lá.
Quando eu era criança, li um poema infantil, chamado "O Herói Que Matara o Reizinho Inimigo". Me fazia chorar, era triste que só. Ver a gravura do soldado marchando com a medalha enorme no peito, e uma sombra no rosto. Ler sobre o reizinho que morria, chorando junto com o soldado.
Vira e mexe me lembro desse poema. Não lembro do autor, e nunca mais vi o tal livro.
Acho que não era bem um poema para crianças. Era para os adultos.
Matamos um reizinho por dia.
Matamos a pureza de nossas almas, afogamos tudo em mágoa, dizendo palavras desnecessárias e descartáveis, re-utilizadas, e re-aproveitadas de discussões anteriores. Nada de novo. Há algo de PODRE no reino da Dinamarca.
Isso me deixa triste.
Perdi um bom tempo com isso, ocupada em ser perfeita, correta, ignorante e tudo o que você sempre quis.
Boa garota. Um anjo. Vaquinha de presépio. Vaca devassa pra você, e vaca profanada pra mim.
Hoje, não quero mais.
Foda-se.
Me chame pelo meu nome, baby.
E o silêncio não vem, pois as palavras escritas ecoam em altos brados na minha mente, em ritmos punk/hardcore.
Milhares de baterias eletrônicas em potência máxima, dark wave, dark side.
Goze em mim, em alturas rarefeitas.
Me faça esquecer o tal reizinho.
Me chame de amor, se quiser.

Roberta Nunes
15/07/2005

(...
se você me vir sorrindo
no meu fusca azul
caçando uma luz amarela
guiando direto pro sol
estarei preso nas
garras de uma
vida louca.)
Charles Bukowski

13.7.05

Teoria da agressão

O quê, exatamente, nos dá o direito da agressão?
Nem adianta dizer que é o ódio, que não cola.
Seria o amor, talvez?
Claro que não, me disseram que o amor não tem que doer.
Talvez seja a impotência.
Sexual, sanitária, insanidade.
Seria o tal saco cheio?
Ou a tal arrogância, que infla egos de maneira escrota?
Ou ainda a mediocridade, nojenta...
Não acredito na agressão.
Não acredito que só se aprende no tapa, ou no grito, ou na queda.
Não poderia, nunca, confiar nesse critério.
Procuro sempre os não-significados.
Acredito em você.
Na sua verdade, mesmo que não seja uma verdade pra você.
Pelo menos, não uma verdade absoluta, macia e quente e segura, como um bom casaco que te protege.
Acredito na força do verbo.
E sei que o verbo faz sangrar mais que o corte da navalha.
Fossas de palavras mal-ditas, entupidas e transbordantes, com lindas e gordas moscas verdes/azuis.
Mas não é em você que jogo isso tudo.
Destilo minha bile assim, agredindo, sim, claro, o teclado, o fundo branco da tela, quem lê.
Não sei o quê me dá o direito da agressão, do veneno gratuíto.
E, nem sei se quero saber.
Amo-te, sempre.
E não sei como agredi-lo, não consigo e não posso.
I wanna fuck you like a animal*
Trago tudo tatuado, marcado a ferro, em letras garrafais e piscantes.
Neon vermelho.

* Closer - Nine Inch Nails

Roberta Nunes
13/07/2005

11.7.05

C.A.O.S.

Não digo 'eu te amo'.
Nunca sem motivo.Nunca sem razão.Só disse uma vez.
Lembra do Princípio?Foi só dessa vez, baby.Nunca quis.Não minto pra você.Vem, que eu agüento.Você é responsável pelo que cativa.Ou não.Eu sou escroto.Você é minha puta.Como saber?A pedra está lá, meu bem.Tudo muda no lodo.E o peso do mundo?
Não carrego todo nas costas.
Suporto só o seu peso e seu macrocosmo e seu amor.
Insólito?
Batidas de maracujá e pêssego cor de pele.
Da sua, na minha.
Boca que não cala e me exige falar.
Só beijo.
Anarquismo limpinho e cavalheiresco.
Não me odeie, só quero seu sangue no látex.
E Vênus em camisas de força.
Não tenho escolha, amor, hoje, essa sou eu.

Roberta Nunes
10/07/2005

6.7.05

Mais uma noite.
Voltei.
Fiz de você meu brinde
E te bebi num só gole
que foi escorrendo pelos cantos da boca.
Transborda.
Translúcido.
Transubstancie-se para saciar minha sede.
Vejo gotas de sangue no chão do quarto
resquícios das minhas brincadeiras...
Multi-posições
Nos espelhos

3.7.05

Comemoramos.
Bebemos.
E nada de conciliar o sono...
Chão, saliva, loucuras sussurradas para não incomodar os vizinhos.
Nada podia ser melhor, mais doce, mais intensamente insano.
Faço de você exatamente aquilo que você quer de mim.
Que a puritana se masturbe até não haver mais nada.
Pilhas de livros que me servem de travesseiro,
e seu braço pra me lembrar do calor da carne.
Pernas entrelaçadas e peso insuportavelmente leve e boca que me beija como se fosse o óbvio a fazer.
Vivi minhas letras pra isso, sempre, morta de cansaço e insuportavelmente consciente de mim mesma.
Me transformei em ondas sob seus dedos.
E vi a regidez se transformar em fluídos.
Perfeito.
Completo.
Você.

Roberta Nunes
03/07/2005

29.6.05

quero, como sempre, ver as estrelas no céu da sua boca

26.6.05

Domingo

Ontem, fui abatida em combate.
Combate verbal, literário, histórico, obsceno.
Duelo titânico.
Amei meu oponente.
Me entreguei a ele em prosa e verso.
Rimei meu corpo.
Fiz dele minha pauta.
Umedeci as roupas com palavras e promessas.
Em breve,
o combate corporal.

Roberta Nunes
26/06/2005

25.6.05

Fóssil

Enquanto caminhava pela rua, dei de cara com uma rachadura no asfalto.
E meu coração se partiu, pois eu entendi que nem tudo é perfeição.
E você, que me enchia de sol, se foi.
Colei aquele tecido balinês na janela da cozinha, pra filtrar a luz.
Me beija, amor, e marca a contra-capa da minha vida com a sua dedicada dedicatória.
Cacos de som nas ondas do meu dia-dia, e lembranças coladas com cuspe.
Amores catados na praia, e conchas jogadas aos porcos.
E vejo a rachadura aumentar e engolir minha fantasia de Batman...
Recordações de aulas de geologia, origens das rochas
e fósseis aprisionados nelas, melhor sedimentares.
Prender sua pegada na minha sala,
Seu sussurro na minha orelha eternamente rouco,
Sulcos e sucos do seu corpo pra sempre na minha cama.
Te beijo no copo de tequila, e o sal é seu.
Não, não vai demorar pra ficar bêbada, e me sacrificar aos deuses
Pra te ter aqui.
te beijo.

Roberta Nunes
25/06/2005

23.6.05

Caminhando ao sol

De sobretudo preto, e óculos escuros
Cachecol roxo para combinar com o sol do meio-dia
A música louca das rotinas
Martelando seus acordes aliens no meu walkman
Reverberando notas acústicas pelas artérias
Plugando guitarras...
Mas não é de música que falo
É de amor
Sobre o toque, e virar do avesso, e mordidas na nuca
E novamente os bandolins
Hoje o dia não está pra poesia
E acho que nem pra prosa
Sempre pra rock'n'roll
destoando de tudo o mais ao redor
E pedra que rola
pedra que havia no meio do caminho
Primitiva e sedimentar de origem qual, mesmo?
Aprisionando fósseis vivos
Selvagem, me fazendo lembrar de outros tempos
E amor incondicional, intrusivo
ígneo e absoluto
Uma música diferente, explosões misturadas às buzinas
aos gemidos e baterias eletrônicas
Música e dança e tremor de terra e avalanche e caminhões
Tarde fria

Roberta Nunes

11.6.05

Pedra

E sigo, nessa loucura de vida.
Viajo nos seus lábios, e gozo na sua saliva.
São beijos de febre, como li uma vez Álvares de Azevedo no colégio, e não te conhecia ainda!
Te tenho na pele, como uma das minhas tatuagens, a primeira.
Faço de você minha pedra fundadora: não existia nada antes.
Em delírios e beijos, e convulsões, imagino seu corpo despido, de roupa e pele, caminhando para mim, sua voz vindo, dizendo que me ama...
Despida do pudor, ouço o som das ondas, e ouço Cure, e penetro nas sombras do seu desejo.
Deixo de ser, para estar. E assim caminho.
Te dou o que não tenho, e faço o que me manda, e me ajoelho para receber seus sacros mandamentos de amor.
Seus olhos iluminam meu dia? Não sei.
Ouço bandolins no sol da manhã.
Meu amor me leva para terras loucas, onde poesia é servida no café da manhã. E Marquês de Sade no jantar!
E amo com profundidade, com totalidade.
Faço do meu útero um templo, que recebe libações e sacrifícios, e tomo no meu corpo seu corpo que é meu.
Sua língua é meu punhal, que penetra em mim com verdades que não revelo, nem assumo.
Me banho na pureza e na imperfeição do seu prazer.
Te levo comigo, seu cheiro na minha roupa, seu gosto em mim.
E, assim, caminhamos.

Roberta Nunes
10/06/2005

9.6.05

Devassa

Devassa.
Ouvi esse elogio uma vez. Entre quatro paredes. De quatro, claro.
Eu gosto de palavras pesadas naquela hora. É, na hora do enrosco, do vai-vem controlado de propósito, descontrolado em seguida.
Mas essa palavra me deixou encafifada.
O que é, exatamente, uma pessoa devassa? Será que é uma que gosta de ser chamada assim, enquanto está fazendo um boquete?
Tá, eu sei. Assunto malhado. Mas não pude evitar. Andei lendo "O retrato de Dorian Gray".
Até que ponto a devassidão, a luxúria, a busca pelo prazer podem corromper um ser humano? Quando ele ultrapassa os limites de outro ser humano, prejudicando, incitando, influenciando? Quando alicia soldados para hordas de libertinos...?
Fico confusa.
Sempre falo de amor, e prazer nas pequenas dores. Sempre falo de desejos secretos de sanguinolência e perversão. Acredito na beleza, e vivo para buscá-la, nem que seja nas sarjetas. Acho Sisters of Mercy poético. Vozes roucas falando sobre putrefação e despedidas.
E, ainda assim, acredito na pureza das almas. Acredito na sinceridade das pessoas. O mal pode ser belo , desde que seja sinceramente mau.
Me senti trespassada. Era realmente uma lança que me atravessava o corpo naquela hora. Fechei os olhos, e gozei como nunca.
D-E-V-A-S-S-A.
Cuidado.
Oscar Wilde pode ser terrivelmente venenoso, venoso, venéreo.
Plástico, sintético, ofensivo, modismo.
Foi paixão na certa.
Roberta Nunes
18/05/2005

Apolo

O cheiro do asfalto selvagem molhado, e da dama-da-noite despudorada, me trazem sua presença.
Lembro do primeiro olhar.
Você caminhando num sentido, e eu no outro. Esbarrei, derrubei seus papéis, pedi desculpas, um café no bar próximo em sinal de paz.
Um olhar.
O rubor.
Meses de amizade supostamente desinteressada.
Um dia, você me confessou sua confusão. Vi seus pelos se arrepiarem ao meu toque àspero. Desculpe, são mãos de homem...
Sentimentos atropelados, bons amigos jantando, dedos tocando de leve as pontas de outros dedos.
Nunca mais esqueci seu rosto de anjo, seus cachos perfeitos. A curva da boca ao tocar na taça, o sorriso maroto, meio de lado, dentes brancos e força de caráter estampada na cara.
Beijo forte, amor violento, um estupro consentido.
Foi sua maneira de extravasar a raiva, e chorar depois, da maneira que só homens choram, soluços vindos da alma.
Me perdoa, meu amor, mas não posso....isso doeu mais do que a violência no corpo, mais do que os dentes na carne .
Caminho pela noite. Virei sombra. Insone e bêbado.
Vejo, pela fresta na cortina, sua mulher e filhos, morenos como você, anjos.
Talvez o Deus dos Mares me deixe ficar, ou talvez os Deuses do Monte me aceitem de volta...
Não sou mais Apolo. Não tenho mais nada.

Roberta Nunes
09/06/2005

1.6.05

Tapetes da vida...

Hoje, acho que fui cruel.
Direta demais. Incisiva demais.
Ele disse adeus.
Eu disse foda-se.
Leva a porra do tapete com você.
Não tomo vinho, a garrafa virou caco na calçada do vizinho.
Prefiro conhaque. Gosto pior, ressaca pesada. Desperta os sentidos.
Acorda pra vida, cacete!
Limpar o sangue desse maldio tapete...
E as marcas do colchão.
Seu cheiro carunchado.
Pelos grudados no sabonete.
Camisetas de rock, panos de chão.
Último volume, Siouxie, baby...
Garrote na garganta,
e chuveiro pingando.
Mãe, de onde vem o trovão?
Mãe, porque o sangue é vermelho?
Seja luar, meu amor.
Espalhe-se pela noite.
Escorra pelo ralo da banheira,
e corra pelas sarjetas.

Roberta Nunes
01/06/2005